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Correção cirúrgica da hérnia de hiato: quando é indicada?

Índice

A hérnia de hiato pode causar sintomas persistentes e impactar a qualidade de vida. Quando os tratamentos convencionais não trazem alívio, a cirurgia se torna uma opção eficaz. Entender quando ela é indicada, como funciona o procedimento e os cuidados no pós-operatório é essencial. Entenda mais sobre esse assunto!

Cirurgiões realizando procedimento em sala de cirurgia, com vestimentas estéreis e iluminação direcionada na área operada.

A hérnia de hiato ocorre quando parte do estômago se projeta para o tórax através do diafragma, causando sintomas como refluxo ácido, azia, dor no peito e dificuldade para engolir. 

Estima-se que cerca de 20% da população apresente esse quadro, sendo mais comum em pessoas acima dos 50 anos. 

Embora muitos casos sejam tratados com mudanças no estilo de vida e medicamentos, alguns exigem correção cirúrgica. 

Neste artigo, abordaremos o que é hérnia de hiato e como ela se manifesta, quando a cirurgia é recomendada para tratar a hérnia de hiato e como é feita a correção cirúrgica e o que esperar da recuperação. Leia até o final e saiba mais!

O que é hérnia de hiato e como ela se manifesta

A hérnia de hiato acontece quando a parte superior do estômago desliza por uma abertura natural do diafragma chamada hiato esofágico, atingindo a cavidade torácica. 

Essa condição altera o funcionamento da válvula entre o esôfago e o estômago, facilitando o refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago.

Os principais sintomas incluem:

A hérnia de hiato pode ser classificada em dois tipos principais:

  • Hérnia por deslizamento: mais comum, o estômago desliza para cima de forma intermitente;
  • Hérnia paraesofágica: menos comum, mas mais grave, parte do estômago fica ao lado do esôfago e pode causar estrangulamento.

O diagnóstico é feito por endoscopia digestiva alta ou exames de imagem como radiografias contrastadas. 

Embora muitos casos sejam assintomáticos ou leves, os sintomas podem se intensificar com o tempo, especialmente se não houver controle alimentar ou mudanças no estilo de vida.

O tratamento inicial costuma ser clínico, com ajustes na alimentação, uso de antiácidos e mudanças posturais. Entretanto, quando essas medidas falham, pode haver indicação cirúrgica.

Quando a cirurgia é recomendada para tratar a hérnia de hiato

A cirurgia para hérnia de hiato é indicada em casos em que o tratamento clínico não controla os sintomas ou quando há complicações associadas. 

Embora muitos pacientes consigam alívio com medicamentos e mudanças no estilo de vida, nem todos respondem bem às terapias convencionais.

As principais indicações cirúrgicas incluem:

Além disso, a cirurgia pode ser considerada quando o uso contínuo de medicamentos não é bem tolerado ou traz efeitos colaterais. 

Em pessoas mais jovens, que necessitam de uso prolongado de remédios, a correção cirúrgica pode ser uma alternativa mais viável a longo prazo.

Antes da decisão cirúrgica, é fundamental uma avaliação detalhada com exames como pHmetria esofágica e manometria esofágica, que ajudam a entender a gravidade do refluxo e a função do esôfago.

A escolha deve sempre ser individualizada, levando em conta fatores clínicos, idade, estilo de vida e expectativa do paciente em relação à melhora dos sintomas e à recuperação após a cirurgia.

Como é feita a correção cirúrgica e o que esperar da recuperação

A cirurgia mais comum para correção da hérnia de hiato é a fundoplicatura de Nissen, geralmente realizada por videolaparoscopia. 

Nesse procedimento, o cirurgião reduz a hérnia, reforça a abertura do diafragma e envolve parte do estômago ao redor do esôfago para impedir o refluxo.

Etapas da cirurgia:

  • Recolocação do estômago na cavidade abdominal;
  • Reforço do hiato diafragmático;
  • Envolvimento do estômago (fundo) ao redor do esôfago;
  • Eventual fixação com pontos ou telas, se necessário.

A recuperação costuma ser rápida, com alta hospitalar em até dois dias. Os principais cuidados no pós-operatório envolvem:

  • Alimentação líquida e pastosa nas primeiras semanas;
  • Evitar esforços físicos por cerca de um mês;
  • Controle de gases e adaptação alimentar gradual;
  • Uso temporário de analgésicos e orientações nutricionais.

É comum sentir desconforto abdominal leve e dificuldade para engolir no início, sintomas que tendem a melhorar com o tempo. O acompanhamento com nutricionista é essencial para garantir uma transição segura na dieta.

A maioria dos pacientes experimenta melhora significativa ou total dos sintomas de refluxo após a cirurgia. Com os devidos cuidados, a qualidade de vida pode ser restaurada de forma duradoura.

Profº Dr. Luiz Carneiro
CRM: 22.761/SP | RQE: 133842 - CIRURGIA DO APARELHO DIGESTIVO
Diretor do Serviço de Transplante e Cirurgia do Fígado do Hospital das Clínicas, professor da FMUSP e chefe do Departamento de Gastroenterologia da FMUSP.
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