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Cirrose hepática: quando é indicado o transplante?

Índice

A cirrose hepática é uma doença crônica que pode evoluir para insuficiência do fígado. Entenda quando o transplante é indicado, quais sinais indicam gravidade e como funciona a avaliação para a cirurgia. Informação essencial para pacientes e familiares. Entenda mais sobre esse assunto!

Equipe médica realiza procedimento cirúrgico com instrumentos, em campo estéril e ambiente hospitalar.

A cirrose hepática é uma doença crônica caracterizada pela substituição do tecido saudável do fígado por cicatrizes, comprometendo progressivamente suas funções. Entre as principais causas estão hepatites virais, consumo excessivo de álcool e doença hepática gordurosa associada ao metabolismo.

Com a evolução da doença, podem surgir complicações como ascite, hemorragia digestiva e encefalopatia hepática. Em estágios avançados, o fígado perde a capacidade de manter funções vitais, tornando o transplante a principal alternativa terapêutica. 

O reconhecimento do momento certo para encaminhamento é fundamental para melhorar o prognóstico. Neste artigo, abordaremos os estágios da cirrose, os critérios para indicação de transplante e os fatores avaliados na seleção do paciente. Leia até o final e saiba mais!

Estágios da cirrose e sinais de descompensação

A cirrose hepática pode permanecer compensada por anos, quando o fígado ainda consegue desempenhar suas funções básicas. Nessa fase, muitos pacientes apresentam poucos ou nenhum sintoma evidente.

Com a progressão da fibrose, surgem sinais de descompensação que indicam piora da função hepática e maior risco de complicações graves

  • Ascite com acúmulo de líquido abdominal
  • Icterícia persistente
  • Hemorragia por varizes esofágicas
  • Encefalopatia hepática

A presença de qualquer uma dessas complicações marca a transição para a fase descompensada. Nessa etapa, o risco de mortalidade aumenta significativamente.

A avaliação clínica regular é essencial para identificar precocemente essas manifestações. Exames laboratoriais e de imagem complementam a análise e ajudam a determinar a gravidade da cirrose hepática e a necessidade de medidas mais intensivas.

Critérios para indicação de transplante hepático

O transplante é indicado quando a cirrose hepática atinge estágio avançado e as complicações se tornam frequentes ou difíceis de controlar. A decisão é baseada em critérios clínicos e laboratoriais objetivos.

Entre os principais fatores avaliados estão a gravidade da insuficiência hepática e o risco de mortalidade em curto prazo

  • Episódios recorrentes de ascite refratária
  • Hemorragia digestiva de repetição
  • Encefalopatia persistente
  • Piora progressiva dos exames laboratoriais

Modelos de pontuação como o MELD são utilizados para estimar a gravidade e priorizar pacientes na lista de transplante. Quanto maior a pontuação, maior o risco e a prioridade.

O encaminhamento precoce para avaliação em centro transplantador permite planejamento adequado e acompanhamento especializado. A indicação no momento correto aumenta as chances de sucesso e reduz complicações futuras.

Avaliação do paciente e preparo para o transplante

Antes da inclusão na lista, o paciente passa por avaliação multidisciplinar detalhada. São analisados aspectos clínicos, psicológicos e sociais para garantir segurança e adesão ao tratamento.

Também são investigadas possíveis contraindicações que possam comprometer o resultado da cirurgia

  • Infecções ativas graves
  • Doenças cardíacas descompensadas
  • Neoplasias fora de critérios
  • Uso ativo de álcool ou drogas

O preparo inclui otimização do estado nutricional e controle das complicações da cirrose. A educação do paciente e da família é parte essencial do processo.

Após o transplante, será necessário uso contínuo de imunossupressores e acompanhamento regular. Quando bem indicado e acompanhado, o transplante oferece melhora significativa na qualidade e expectativa de vida.

Perguntas Frequentes

1. A cirrose hepática tem cura?

Não, a cicatrização é irreversível, mas o transplante pode substituir o fígado doente.

2. Quando a cirrose hepática precisa de transplante?

Quando há descompensação, complicações recorrentes e alto risco de mortalidade.

3. Quais são os sinais de cirrose hepática avançada?

Ascite, icterícia, hemorragia digestiva e encefalopatia hepática.

4. A cirrose hepática sempre evolui para insuficiência do fígado?

Nem sempre, mas pode evoluir se não houver controle adequado da causa.

5. Quem tem cirrose hepática pode ter vida normal?

Na fase compensada, muitos pacientes mantêm uma rotina próxima do normal com acompanhamento médico.

Profº Dr. Luiz Carneiro
CRM: 22.761/SP | RQE: 133842 - CIRURGIA DO APARELHO DIGESTIVO
Diretor do Serviço de Transplante e Cirurgia do Fígado do Hospital das Clínicas, professor da FMUSP e chefe do Departamento de Gastroenterologia da FMUSP.
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