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Após o transplante de fígado, o uso de imunossupressores é para vida toda?

Após o transplante de fígado, o uso de imunossupressores é para vida toda? | Por Prof Luiz Carneiro CRM 22761 | Diretor do serviço de transplante e cirurgia do fígado do hospital das clínicas da faculdade de medicina da USP.
Após o transplante de fígado, o uso de imunossupressores é para vida toda? 2

Embora o fígado seja um órgão capaz de se regenerar, existem algumas circunstâncias que causam a sua falência. Nesse caso, o transplante de fígado é fundamental, já que esse é um dos órgãos vitais e que não pode faltar para o ser humano.

Mas quando essa técnica é realizada existe a possibilidade de o organismo do receptor rejeitar o órgão transplantado. Para evitar que aconteça, são utilizados medicamentos chamados de imunossupressores.

Neste artigo falaremos um pouco sobre eles e explicaremos se, depois de fazer o transplante desse órgão, a pessoa precisa tomar esse medicamento pelo resto da vida. Continue lendo para saber mais sobre esse assunto

O transplante de fígado

O transplante de fígado consiste em uma técnica cirúrgica para remover o órgão doente e cirurgia de retirada de órgão saudável de uma pessoa doadora e implantá-lo no organismo do receptor. O procedimento ajuda a salvar muitas vidas e pode ser realizado em pessoas de todas as idades.

Existe a possibilidade de utilizar o órgão de uma pessoa morta ou então uma parte do fígado de uma pessoa viva. Mas independentemente de como a doação é feita, um dos grandes desafios dos médicos é evitar que ocorra a rejeição do fígado implantado (enxerto).

Além de diversas medidas que são adotadas para garantir a saúde da pessoa transplantada, a administração de imunossupressores é fundamental para evitar que o seu organismo rejeite o novo órgão.

O que é um imunossupressor?

O organismo humano reconhece todas as suas células, tecidos e órgãos. É por isso que quando ele identifica algo estranho desencadeia reações para se proteger. O responsável por ativar essa defesa é o nosso sistema imunológico.

Quando uma pessoa passa por um transplante de fígado, embora ela tenha recebido esse órgão também de um humano, o seu corpo não reconhece como sendo parte integrante de si. Ele vê o novo fígado como algo estranho que precisa ser combatido.

O sistema imunológico, então, começa a desempenhar o seu papel e ataca aquilo que ele acredita ser um invasor. É por isso que existe a chance de rejeição do enxerto, e para evitar que o organismo reaja dessa forma, são utilizados medicamentos imunossupressores.

Eles inibem a resposta do sistema imunológico para que ele não venha atacar o fígado novo. Assim, a pessoa consegue se recuperar, o órgão começa a desempenhar as suas funções e são reduzidas as chances de ele ser rejeitado.

O imunossupressor é para toda a vida?

Durante a cirurgia de transplante são necessárias altas doses de imunossupressores, inicialmente e pelo menos nos três primeiros meses, para evitar que haja rejeição aguda precoce. Esse é o período mais crítico da recuperação, com maiores chances de o órgão não ser aceito pelo organismo do receptor.

Com o passar do tempo, e conforme não são percebidas manifestações semelhantes a uma rejeição, a dosagem dos imunossupressores pode ser diminuída. Essa é uma decisão que cabe ao médico responsável por cada paciente segundo a resposta do seu organismo.

Porém, uma singularidade que ainda não foi possível reverter é o fato de que a rejeição pode acontecer mesmo após décadas da realização do implante. Foi registrado um caso em que uma senhora implantada há mais de 20 anos deixou de tomar essa medicação e mesmo após todo esse período o órgão foi rejeitado. Por outro lado, existem na literatura reportado em longo prazo uma taxa de 8-10% dos pacientes não necessitarem de medicação imunossupressora para o fígado e rim; porém sempre aconselhamos a manutenção de baixa dose devido ao risco sempre estar presente. Pacientem com quadro de rejeições repetidas e quadro de rejeições graves podem vir a perder por completo a função do órgão (rejeição crônica e com ductopenia); e em alguns casos necessitar de novo transplante de fígado.

Por isso, os imunossupressores ainda são medicamentos essenciais durante toda a vida de uma pessoa transplantada. O que acontece é que é a dosagem é reduzida ao longo do tempo, como foi dito, até que se chegue ao mínimo possível para evitar problemas e, ao mesmo tempo, reduzir as reações adversas que eles provocam.

Mas ainda não é possível cortar definitivamente essa medicação, já que o corpo pode voltar a reagir e o sistema imunológico atacar o órgão transplantado. Mas apesar de haver essa condição, o transplante de fígado ainda é a melhor opção para preservar a vida de pessoas que têm esse órgão comprometido. No mais, é possível adequar os imunossupressores de modo que o transplantado tenha mais bem-estar e qualidade.

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Prof. Dr. Luiz Carneiro
Prof. Dr. Luiz Carneiro CRM: 22.761/SP, diretor do Serviço de Transplante e Cirurgia do Fígado do Hospital das Clínicas, professor da FMUSP e chefe do Departamento de Gastroenterologia da FMUSP.

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    1. Olá, Maria. É muito difícil responder essa questão sem ter os exames em mãos e acompanhamento médico. O que eu recomendo é retornar com o médico que acompanhou o paciente durante todo o procedimento e esclarecer essa questão.

      Espero ter ajudado e obrigado por me acompanhar. Se possível, me siga no Facebook para receber meu conteúdo em primeira mão: https://www.facebook.com/profluizcarneiro/

    2. Ola,meu namorado e transplantado 2 ja faz 2 anos,so que a 10 dia descobriram que ele esta com leucemia,ele ja esta internado e em tratamento,quais sao as possibilidades dele se recoperar? Ele e Slovenio e esta no hospital em Ljubljana.

      1. Olá, Jussara. A leucemia tem cura, porém, varia de acordo com cada paciente. Existem diversos tipos e tratamentos para a leucemia, porém, é muito difícil dar uma resposta exata porque não tenho os exames em mãos e acompanhamento médico. O ideal seria procurar o médico que está acompanhando o seu namorado e esclarecer todas as suas dúvidas.

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