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Transplante de fígado com doador cadáver

O transplante de fígado com doador cadáver é uma intervenção crucial para pacientes com doenças hepáticas graves. Descubra quais os critérios para doação do órgão, como é realizado o procedimento e quais os riscos associados. Clique aqui e tire suas dúvidas!

Introdução

O fígado é um dos órgãos mais importantes do corpo, pois desempenha diversas funções essenciais, desde o processamento de nutrientes até a desintoxicação. 

Quando o fígado sofre danos irreversíveis devido a condições como cirrose hepática, câncer,, colangite esclerosante, hepatite fulminante e outras doenças hepáticas graves, o transplante de fígado se torna a última esperança para muitos pacientes. 

Neste artigo, vamos explorar a transplante de fígado com doador cadáver, incluindo o que é o fígado e sua importância, a história e as indicações do transplantes de fígado, o que é o transplante fígado com doador cadáver e qual é o melhor perfil do doador cadáver e como é realizado o transplante, quais os riscos, e como é o pós-operatório, além de abordar como é o processo de doação de fígado. Leia até o final e saiba mais!

O que é o fígado e qual a sua função?

O fígado é um órgão crucial localizado na parte superior direita do abdome, considerado o segundo maior órgão do corpo humano. Ele é constituído por milhões de células, chamadas de hepatócitos, responsáveis por exercer atividades essenciais para o equilíbrio do organismo.

Suas principais funções são metabolização de nutrientes, armazenamento de glicose na forma de glicogênio e produção de bile, essencial para a digestão de gorduras. 

Além disso, o fígado desempenha um papel crucial na desintoxicação do corpo, removendo toxinas, medicamentos e resíduos metabólicos. Ele também é responsável pela síntese de proteínas essenciais, como a albumina, que regula a pressão osmótica do sangue. 

Apesar de ter uma ótima capacidade de recuperação, algumas doenças podem provocar insuficiência hepática, levando o paciente ao óbito. Nestes casos, pode ser necessária a indicação de um transplante de fígado.

Quando se iniciou o processo de transplante?

Em 1963, foi realizado o primeiro transplante de fígado nos Estados Unidos. Na cidade de Denver, o doutor Thomas Starzl realizou a operação numa criança de três anos, que morreu durante o procedimento cirúrgico. Ainda no mesmo ano, este médico realizou outros dois transplantes hepáticos, mas os pacientes acabaram vivendo pouco tempo.

Em 1967, o doutor Thomas Starzl repetiu o mesmo tipo de cirurgia de transplante de fígado, e conseguiu que o paciente sobrevivesse por um período mais longo. No entanto, o receptor morreu por conta das metástases de um câncer anterior ao transplante.

Quando o transplante de fígado deve ser indicado?

O transplante de fígado é indicado quando um paciente enfrenta insuficiência hepática grave ou doença hepática terminal que não responde ao tratamento convencional.

A principal causa é a cirrose hepática, caracterizada pelo dano irreversível das células hepáticas. Esta doença ocorre quando a anatomia normal do fígado é substituída por tecido de cicatrização, o que deteriora a função hepática. 

Hepatites B e C, hepatite autoimune, álcool, cirrose biliar primária, colangite esclerosante e cirrose biliar secundária são algumas das condições que podem causar a cirrose hepática e, consequentemente, levar à necessidade de um transplante do órgão.

Qual é o melhor perfil do doador cadáver?

O doador ideal para um transplante de fígado deve atender a critérios específicos para garantir a compatibilidade e a qualidade do órgão doado.

No geral, costuma ser um jovem previamente sadio com morte encefálica, que foi atendido imediatamente após o óbito, e que ainda não teve a deterioração de órgãos vitais, como fígado, rins e coração. 

Já o doador que deve ser evitado é aquele com idade avançada, que teve um tempo prolongado de permanência em unidade de terapia intensiva, com necessidade do uso de substâncias vasoativas para mantê-lo hemodinamicamente estável.

Neste caso, a recuperação do órgão doado pode ser de maior risco ao paciente, além de ser mais lenta.

Como é o transplante de fígado com doador cadáver?

Primeiramente, é necessário que a família do doador autorize a utilização do órgão, sendo que esta é uma atitude muito importante, porque a fila de transplante é grande. 

Um exemplo disso é que, quase a metade dos pacientes que precisam de um transplante de fígado no Estado de São Paulo, acabam falecendo antes de conseguir um doador.

O ideal é que as pessoas, ainda em vida, manifestem às suas famílias a vontade de doar os órgãos após falecimento. Esse é um ato muito importante que pode ajudar a salvar muitas vidas. 

Após essa etapa, uma equipe especializada retira o fígado inteiro e preserva em soluções especiais e em baixa temperatura para ser transportado para o hospital onde haverá o transplante.

O procedimento de transplante de fígado começa com a preparação do paciente, que recebe anestesia geral. O cirurgião faz uma incisão no abdome para acessar o fígado e os vasos sanguíneos. Em seguida, a cirurgia se inicia e se segue por estas três principais etapas: 

  • Fase da hepatectomia total: momento em que é realizada a cirurgia para retirada do fígado doente do paciente. Esta fase está relacionada com um risco maior de sangramentos.
  • Fase anepática: período após a hepatectomia em que o paciente fica sem o fígado, mais curta 
  • Fase de implante do fígado doado: envolve suturas nas principais vias sanguíneas que passam pelo fígado (veia cava, veia porta e artéria hepática) e o restabelecimento do fluxo da bile, que é produzida no fígado e lançada no duodeno (parte do intestino). 

Esse procedimento é bastante complexo e dura, em média, de seis a oito horas. Antes do implante do órgão, uma importante etapa é a de preparo do órgão, chamada back-table, com o objetivo de realizar o preparo, e adequar o calibre e o tamanho do órgão e dos vasos. 

Algumas condutas são realizadas para garantir uma maior segurança do procedimento, principalmente os cuidados hemodinâmico e anestésico no intraoperatório, como a monitorização central, cardíaca, periférica; controle da temperatura; e a técnica de transplante de fígado chamado de piggy-back, o qual mantém a veia cava íntegra do receptor. 

Ainda, são administrados medicamentos imunossupressores para prevenir a rejeição dos fígados transplantados

Como é o pós-operatório do transplante de fígado com doador cadáver?

O pós-operatório da cirurgia dependerá das condições do paciente transplantado e também da qualidade do órgão doado. Caso o receptor apresente situações favoráveis, ele será capaz de suportar melhor a operação. Assim como se o fígado for advindo de um doador ideal, a recuperação, consequentemente, é mais rápida.

Entretanto, se o órgão for de um doador considerado não ideal, ou até mesmo se o receptor já tivesse sido operado anteriormente, ou sua doença estivesse em estágio mais avançado, a recuperação pode ser mais complicada e demorada.

Após a cirurgia de transplante de fígado, é possível que o paciente fique de um a dois dias em uma unidade de terapia intensiva, caso não haja alguma complicação, e depois já poderá começar a se alimentar. 

Em geral, o tempo de internação pode variar de uma a duas semanas, podendo se estender dependendo de cada caso. A recuperação completa pode levar várias semanas ou meses, durante as quais o paciente é submetido a exames regulares e ajustes na medicação.

Além do cuidado com o transplante, o tratamento do paciente deve ser voltado para a doença que ocasionou a lesão do órgão. Isso porque, em parte dos portadores de cirrose, a doença pode evoluir para câncer de fígado enquanto aguarda a cirurgia. Caso isso aconteça, o paciente precisará de mais cuidados, e o risco depois da operação será aumentado. 

Há riscos para o receptor no transplante de fígado com doador cadáver?

Como qualquer procedimento, o transplante de fígado está contemplado com riscos. Primeiramente, o receptor tem riscos relacionados à cirurgia propriamente dita, como sangramento e problemas na via biliar, ou relacionados com o grau de sua doença de base, ou seja, quanto mais grave, mais riscos existem para o paciente.

A ideia é oferecer o tratamento ideal no melhor momento do paciente. Após o período imediato de pós-operatório, outros problemas estão relacionados com a piora da função renal, como infecção, problemas biliares e rejeição do fígado, que ocorre quando o nível terapêutico da medicação não está adequado.

No entanto, há sempre a possibilidade do fígado, assim como qualquer órgão, não funcionar após o transplante. Quando essa situação acontece, o paciente volta para a lista de espera e é priorizado para receber um novo órgão urgentemente.

Como funciona o processo de doação de fígado?

O paciente que necessita de transplante de fígado é inscrito em uma lista única de espera da Secretaria de Estado da Saúde, no caso, do Estado de São Paulo, de acordo com a compatibilidade sanguínea.

O critério é baseado na gravidade da doença, chamado de MELD (Model for End-Stage Liver Disease). O índice corresponde a um valor que varia de 6 a 40, mostrando a urgência do caso de cada paciente. Semelhante ao MELD, crianças e adolescentes com menos de 18 anos, são listados respeitando o sistema PELD (Pediatric End-Stage Liver Disease).

Calcule seu MELD, clicando no link abaixo:

http://www.mayoclinic.org/medical-professionals/model-end-stage-liver-disease/meld-model

Em casos urgentes, como hepatite fulminante, retransplante e trombose da artéria hepática, existe prioridade na lista de espera do transplante de fígado

Veja abaixo o link da Secretária de Estado da Saúde de São Paulo:

http://www.saude.sp.gov.br/ses/perfil/cidadao/homepage/acesso-rapido/lista-de-espera-para-transplantes

Assim, quando há a identificação de um doador adequado, geralmente uma pessoa com morte encefálica, verifica-se a compatibilidade com um potencial receptor. Após a autorização da doação pelos familiares, o órgão é removido com cuidado para preservar sua qualidade e ser transplantado.

Conclusão

O transplante de fígado com doador cadáver é um procedimento complexo que oferece esperança e uma segunda chance de vida a pacientes com doenças hepáticas graves. 

Esse procedimento já salvou inúmeras vidas em todo o mundo. No entanto, ele depende da generosidade de doadores e do avanço da ciência para melhorar a qualidade e a disponibilidade dos órgãos doados. 

A compreensão dos pacientes sobre o processo de transplante de fígado e seu compromisso com os cuidados pós-operatórios são essenciais para o sucesso dessa intervenção no tratamento de doenças do fígado.

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dr Luiz Carneiro

Profº Dr.Luiz Carneiro

CRM: 22.761/SP

Diretor do Serviço de Transplante e Cirurgia do Fígado do Hospital das Clínicas, professor da FMUSP e chefe do Departamento de Gastroenterologia da FMUSP.

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