Quais os Principais Riscos de Fazer um Transplante de Fígado?

Última atualização em 12/02/2021 por Prof Luiz Carneiro
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Quais os principais riscos de se fazer um transplante de fígado? O transplante vai ser benéfico no futuro? Qual é o risco do transplante?

O transplante de fígado é a maior cirurgia do organismo. Existem agora alguns transplantes que nós fazemos também, que é o transplante multivisceral. Mas ele é muito raro e não vale a pena falar.

Sobrevida do paciente

Fazer um transplante em uma pessoa que tem musculatura, que chega caminhando, que está trabalhando, que pratica atividade física é uma cirurgia grande, com corte grande e que demora muitas horas, mas nós vamos ter uma boa resposta.

Então esse paciente provavelmente fica dois a três dias na UTI e vai para o quarto. Mais uma semana e ele terá condições de alta hospitalar. Nesses pacientes o risco é menor e nós podemos oferecer para esses doentes, mais que 95% de sobrevida após o primeiro ano e cerca de 92-93% por cento depois de cinco anos. E cercas de 80-82% depois de dez anos.

São pessoas que têm um risco bem menor, porque tem uma reserva orgânica, tem uma a capacidade orgânica de responder ao trauma cirúrgico. E nós vamos usar nessas pacientes, depois desse trauma cirúrgico enorme, medicamentos para aceitar aquele órgão que recebeu. Isso também pode mexer com a parte imunológica do paciente, essas drogas alteram muito a função do rim no começo, quando nós começamos a usar, até achar a dose ideal.

Hoje, nós indicamos o transplante mais cedo para ter uma resposta nesse nível que foi falado.

Quando nós falamos de hepatite fulminante, que é o oposto, é aquele paciente que teve uma hepatite viral, ou tomou um remédio que destruiu abruptamente o fígado e que chega na UTI já comatoso, que precisa do transplante em 24-48-72 horas, muitas vezes porque se não o fígado destruído abruptamente vai levar a uma série de consequências, inclusive a morte do cérebro, por inchaço do cérebro. Então nesses doentes quando se faz transplante, no contexto geral, nem sempre se tem um órgão quando se precisa e a sobrevida já era um nível de 60-50%.

É uma situação muito diferente daquela, aquela nós tínhamos tempo de esperar um órgão ideal, em condições ideais, é um paciente preparado, que faz fisioterapia antes e desse outro paciente, que nós temos muitas vezes que aceitar o primeiro órgão que aparece, porque há o desespero, é uma situação de morte iminente, e nós temos que seguir em frente, e isso aumentam muito os riscos.

Agora existe aquele outro doente, que é um doente que chegou para nós, já é um doente muito grave, que tem uma ascite refratária, como nós chamamos. É uma barriga d’água e que tira 5-6 litros de líquido, 10 litros, toda semana para poder viver. Já tem uma parte muscular muito consumida. Às vezes o doente não consegue andar chega numa cadeira de roda. E então nesses doentes o trauma cirúrgico vai ter outra dimensão, então esses são pacientes que muitas vezes com ascite refratária grave, são pacientes que têm uma perspectiva de vida muito curta.

Transplantamos então em outra situação, a gente tem que ter um fígado muito bom, pois são considerados doentes muito graves e que precisam de um fígado que não haja rateio, que ele pegue primeiro porque isso pode acontecer se ratear o fígado e ele não funcionar bem, aquele fígado daquele doente que estava bem com reserva física boa ele suporta e esse doente muito grave não tem reserva, às vezes as complicações são maiores.

Esse doente, ele fica internado de 7-10 dias e ele fica muitas vezes, 3-4 semanas no hospital precisando de uma fisioterapia intensa para voltar para casa. E nesse, a sobrevida já é bastante diferente é uma sobrevida intermediária. Os que transplantam 75-80% estarão vivos. Então ao invés de ter uma mortalidade em torno de 3-4%, a mortalidade é muito maior, uma mortalidade associada ao transplante de 20-25%.

Procure um médico o quanto antes

Então veja é muito importante, quando começar a ter problema, se sentir e o paciente ficou com o olho muito amarelo, que na melhora começou a formar barriga d’água, ou já tem um tumor pequeno, procurar imediatamente um serviço que faça transplante, para que a gente possa oferecer aquela sobrevida que nós sonhamos, aquela que falamos primeiro, que é muito boa.

Mas de qualquer maneira todos que fizeram transplante e conseguiram superar A grande maioria das vezes vai ter uma qualidade de vida muito boa, muito satisfatória. Um terço dos doentes podem ter pequenos problemas são: diabéticos, ou podem muitas vezes ter tolerância a algum medicamento, que pode ter problema.

Mas 70% daqueles que sobreviveram vão ter uma vida muito boa, uma qualidade de vida é muito próximo ao normal, eu diria que é próximo de que quem toma medicamento, tem que fazer exames periódicos, não tem uma vida igual a de uma pessoa saudável mas é muito próximo. Tirando isso, a vida seria uma vida saudável, são doentes que podem ir pescar,ir viajar e fazer esporte, e cuidar da sua família, ver e netos e seus filhos crescerem juntos, todos beneficiando-se desse privilégio que é o transplante.

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Prof. Dr. Luiz Carneiro
Sobre o Autor

Prof. Dr. Luiz Carneiro CRM: 22.761/SP, diretor do Serviço de Transplante e Cirurgia do Fígado do Hospital das Clínicas, professor da FMUSP e chefe do Departamento de Gastroenterologia da FMUSP.

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