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Álcool e fígado: quais os danos e o que ainda é reversível?

Índice

O consumo frequente de álcool pode parecer inofensivo, mas seus efeitos sobre o fígado são sérios e progressivos.

Neste artigo, você vai entender como o álcool impacta diretamente as células hepáticas, o que acontece quando há excesso, e em que momento ainda é possível reverter os danos. Se você ou alguém próximo tem dúvidas sobre o tema, vale a leitura atenta.

Como o álcool afeta o fígado

O consumo excessivo de álcool é motivo de preocupação para muitas pessoas – e com razão. O álcool provoca uma lesão direta nas células do fígado, os hepatócitos. Essa lesão vai se acumulando com o tempo, principalmente com o consumo crônico, e leva à destruição progressiva dessas células. Como consequência, o fígado desenvolve fibrose, um processo em que o tecido hepático se torna mais rígido. Com o tempo, essa fibrose pode evoluir para cirrose, uma condição grave e irreversível.

Quando ainda há tempo de reverter os danos

O momento ideal para interromper o consumo de álcool é quando exames mostram alterações nas enzimas hepáticas. Atualmente, há exames como elastografia, tomografia e ressonância magnética que permitem avaliar o grau de fibrose do fígado. Se a fibrose estiver em estágio inicial, é possível estabilizá-la com a suspensão do álcool. Geralmente, ao parar de beber, a fibrose deixa de evoluir e a pessoa pode preservar a função do fígado ao longo da vida, graças à grande reserva funcional do órgão.

A esteatose hepática induzida pelo álcool

O álcool também pode causar esteatose hepática, ou seja, acúmulo de gordura no fígado. Essa forma de esteatose é um pouco diferente daquela causada por outras razões, pois provoca inchaço nas células. Mesmo essa alteração pode regredir com a interrupção do consumo, reduzindo o inchaço e melhorando os resultados nos exames de imagem.

Moderação é essencial

Beber com moderação é fundamental. O consumo diário não é recomendado. O ideal é limitar o consumo a uma ou duas vezes por semana, e em quantidades pequenas. Isso porque beber muito em um único dia pode ter o mesmo efeito tóxico no fígado que consumir pequenas quantidades todos os dias.

As doses consideradas seguras são bastante baixas. Há relatos de mulheres que desenvolveram cirrose alcoólica com apenas uma cerveja por dia (cerca de 20 a 30 gramas de álcool). No caso dos homens, a média é de até 50 gramas por dia – o que equivale a duas cervejas – mas mesmo quantidades menores, mantidas por 10 a 15 anos, podem causar danos.

Quando procurar ajuda

O efeito do álcool no fígado é nocivo e cumulativo. Por isso, se você consome álcool com frequência, é importante realizar exames específicos para avaliar a saúde do fígado e saber se é o momento de interromper o consumo antes que os danos se tornem irreversíveis.

Profº Dr. Luiz Carneiro
CRM: 22.761/SP | RQE: 133842 - CIRURGIA DO APARELHO DIGESTIVO
Diretor do Serviço de Transplante e Cirurgia do Fígado do Hospital das Clínicas, professor da FMUSP e chefe do Departamento de Gastroenterologia da FMUSP.
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