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Refluxo grave: quando o problema vai além da queimação

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O refluxo nem sempre se limita à queimação ocasional. Quando os sintomas se tornam constantes, interferem no sono, não respondem adequadamente aos medicamentos ou vêm acompanhados de dificuldade para engolir, é necessário investigar o quadro e avaliar a melhor conduta.

Quando a queimação deixa de ser um sintoma ocasional

A doença do refluxo gastroesofágico costuma provocar aquela sensação de queimação que sobe. Em alguns pacientes, o sintoma aparece eventualmente e pode estar relacionado, por exemplo, à alimentação.

A situação muda quando a queimação passa a ocorrer de forma constante, permanece durante boa parte do dia e os medicamentos utilizados para controlar o refluxo se mostram insuficientes.

A frequência e a intensidade dos sintomas são fatores importantes na avaliação da necessidade de uma abordagem cirúrgica.

Uma pessoa que apresenta refluxo apenas ocasionalmente e mantém sua rotina normalmente encontra-se em uma situação diferente daquela que convive diariamente com o problema. Quando há poucos sintomas, uma cirurgia pode não proporcionar o resultado esperado em relação ao incômodo apresentado.

Refluxo noturno e outros sinais que merecem investigação

Quando o refluxo é constante, prejudica o sono ou chega à garganta durante a noite, o quadro precisa ser avaliado com maior atenção.

Em alguns pacientes, o otorrinolaringologista pode observar alterações na voz e lesões nas cordas vocais associadas ao quadro.

Também podem ocorrer complicações no esôfago, como:

  • sangramentos;
  • úlceras;
  • estenose, que provoca estreitamento.

Nessas situações, a indicação cirúrgica pode ser considerada antes que ocorram complicações.

Atualmente, com a correção realizada por videolaparoscopia, quadros de estenose e sangramento não são tão frequentes.

Dificuldade para engolir associada à queimação

Algumas lesões benignas podem provocar estreitamento do esôfago e causar dificuldade para engolir.

Ao mesmo tempo, esse sintoma também pode estar relacionado a uma doença mais grave. Por isso, uma mudança no padrão dos sintomas merece atenção.

Quando uma pessoa que apresenta queimação começa também a ter dificuldade para engolir, é necessário repetir a endoscopia e conversar com o médico para definir a melhor conduta.

Quando a cirurgia da hérnia de hiato pode ser indicada

A cirurgia da hérnia de hiato, quando bem indicada, é considerada muito segura e apresenta resultados muito altos, com boa manutenção da válvula por muitos anos.

Existe uma percepção popular de que, mesmo depois de uma válvula tecnicamente bem realizada, o problema pode voltar. Por esse motivo, a formação do cirurgião e as recomendações recebidas devem ser consideradas.

Quando houver indicação cirúrgica, o procedimento deve ser realizado dentro das normas técnicas adequadas. 

Perguntas frequentes (FAQ)

Quando o refluxo deixa de ser apenas um incômodo ocasional e passa a exigir maior atenção?

Quando os sintomas se tornam frequentes, interferem na rotina ou no sono e não melhoram adequadamente com medicamentos, o quadro precisa de uma avaliação mais cuidadosa.

Quais complicações podem surgir em casos mais importantes de refluxo?

Podem ocorrer alterações na voz, lesões nas cordas vocais, úlceras, sangramentos e estenose do esôfago, que provoca estreitamento da passagem.

Por que a dificuldade para engolir associada à queimação precisa ser investigada?

Porque esse sintoma pode indicar estreitamento do esôfago ou estar relacionado a outras condições mais graves, sendo importante conversar com o médico e avaliar a necessidade de repetir a endoscopia.

Toda pessoa com refluxo grave precisa de cirurgia?

Não. A indicação cirúrgica depende da frequência, intensidade e impacto dos sintomas, além da resposta ao tratamento clínico e da presença de complicações.

Quando a cirurgia da hérnia de hiato pode ser considerada no tratamento do refluxo?

Ela pode ser considerada em casos selecionados, especialmente quando os sintomas são persistentes ou existem complicações, desde que a indicação seja individualizada e a técnica realizada de forma adequada.

Profº Dr. Luiz Carneiro
CRM: 22.761/SP | RQE: 133842 - CIRURGIA DO APARELHO DIGESTIVO
Diretor do Serviço de Transplante e Cirurgia do Fígado do Hospital das Clínicas, professor da FMUSP e chefe do Departamento de Gastroenterologia da FMUSP.
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