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Profº Luiz Carneiro
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O que pode provocar a ascite? Descubra!

A ascite ou ‘barriga d´água’ é o acúmulo de líquido dentro do abdômen. Ela não é considerada como uma doença, mas sim como um fenômeno que se origina de outras patologias.

A imagem mostra uma mulher sentada, do peito ao joelho, com a blusa dobrada mostrando a barriga.

O corpo pode sofrer algumas retenções de líquidos na pele que provocam inchaço. Isso é desencadeado, por exemplo, pelo sedentarismo, a má alimentação ou alterações hormonais. Porém, também pode acontecer de os líquidos se acumularem na cavidade abdominal, nesse caso, provocando o problema chamado ascite.

Na verdade não é uma doença, mas sim um indicativo de que algo está errado no organismo, e que existe um grande risco de uma doença hepática em curso, ou alteração renal ou cardíaca. Por isso, requer avaliação médica o quanto antes para realização dos tratamentos adequados.

Preparamos este artigo para explicar como a ascite se manifesta, quais são as suas principais causas e de que maneira essa condição deve ser tratada. Continue lendo para aprender um pouco mais sobre esse assunto.

Como a ascite se manifesta?

A ascite (hidroperitônio), mais conhecida como barriga d’água, se caracteriza pelo acúmulo de líquidos na cavidade peritoneal, localizada no interior do abdômen. Provoca o aumento do volume abdominal, podendo acumular vários litros de água.

Esse acúmulo acontece da mesma forma como os inchaços na pele, aqueles que causam aumento do volume das mãos e das pernas por exemplo. Os vasos sanguíneos deixam extravasar o líquido que faz a irrigação do peritônio para a cavidade peritoneal.

Existem três causas que podem levar a esse extravasamento:

– retenção de água e sal: ocasionada por alguma doença que leva a esse ao acúmulo de água e sal pelos rins, o que resulta no aumento do volume de líquido na circulação sanguínea;

– pressão hidrostática: o aumento da pressão hidrostática nos vasos sanguíneos também leva ao acúmulo de líquido. Ela ocorre em função da obstrução do fluxo sanguíneo normal, como em casos de trombose e varizes;

– redução da proteína no sangue: as proteínas, como a albumina, promovem o efeito osmótico, ou seja, de pressão oncótica, que ajuda a manter a água dentro dos vasos sanguíneos. Quando há uma redução dos seus níveis esse líquido é extravasado.

É válido ressaltar que o ideal é a cavidade abdominal não conter nenhuma quantidade de líquidos. Entretanto, as mulheres podem acumular um pequeno volume por causa das variações do ciclo menstrual, mas é uma condição que não causa problemas para sua saúde.

Diferente da ascite, porque nesse caso o acúmulo de líquidos é excessivo, podendo ser de vários litros. Consequentemente, o indivíduo pode ter dificuldade para respirar e até mesmo se alimentar, além do volume excessivo do abdômen que atrapalha os movimentos e atividades diárias.

O que causa ascite?

Você viu que o extravasamento dos líquidos dos vasos sanguíneos que desencadeiam ascite acontece por causa do aumento da pressão hidrostática, pela retenção de sais e líquidos e pela redução da concentração de proteína no sangue. Mas o que desencadeia essas três situações?

Na maioria das vezes a ascite é provocada pela cirrose hepática, porque essa doença provoca as três condições que citamos. Ocorrem os grandes acúmulos dos quais havíamos falado, podendo atingir até mais de 10 litros.

Geralmente a cirrose pode ser provocada pelo consumo excessivo de bebidas alcoólicas, hepatite viral, metabólica ou outras causas. A cirrose pode ser responsável por cerca de 85% dos casos de ascite, entretanto não é a única doença que pode levar a essa retenção de líquido na cavidade abdominal. Isso também pode acontecer por outras causas, sendo:

  • insuficiência cardíaca;
  • problemas renais;
  • pancreatite;
  • tuberculose peritoneal;
  • câncer metastático no peritônio;
  • esquistossomose.

Além do aumento do volume abdominal, podem ocorrer outros sintomas, como:

  • dor no abdômen;
  • náuseas e vômitos;
  • perda de apetite;
  • dificuldade para respirar.

Os sintomas podem ir além dependendo daquilo que provocou a ascite. Sendo assim, o paciente pode manifestar:

  • icterícia;
  • cansaço excessivo;
  • emagrecimento;
  • aumento do fígado;
  • inchaço nos pés e nas pernas;
  • ginecomastia;
  • encefalopatia hepática.

Existe tratamento para ascite?

Para tratar especificamente o acúmulo de líquidos podem ser utilizados medicamentos diuréticos, que ajudam na eliminação deles por vias naturais. Porém, quando há muito líquido é realizada a técnica paracentese.

O objetivo é drenar o líquido ascítico introduzindo uma agulha na cavidade abdominal, ligada a uma bolsa coletora. É um procedimento simples realizado com anestesia local. Esse líquido coletado é analisado para investigação de possíveis tumores ou infecções.

Porém, em alguns dias ou semanas a ascite se manifesta novamente se nada for feito para tratar a doença que está causando esse problema. Então, é preciso que cada caso seja avaliado individualmente, para identificar aquilo que está provocando esse problema e adotar um tratamento realmente eficaz.

Bibliografia:

MELD Score and Albumin Replacement Are Related to Higher Costs During Management of Patients With Refractory Ascites

SANTANA, V. B. ; HADDAD, L. B. P. ; RIZZON, A. C. ; BARBOSA, V. M. ; III, W. S. ; ANDRAUS, W. ; D ALBUQUERQUE, LUIZ AUGUSTO CARNEIRO
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Chronic Pancreatitis Associated with Chylous Ascites Simulating Liver Cirrhosis

Andraus, Wellington ; NACIF, L. S. ; Nacif, Lucas Souto ; ARAUJO, RAPHAEL L. C. ; Buscariolli, Yuri dos Santos ; SALVATO, MAYARA ; D ALBUQUERQUE, LUIZ AUGUSTO CARNEIRO

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Prof. Dr. Luiz Carneiro

Diretor da Divisão de Transplantes de Fígado e Orgãos do Aparelho Digestivo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

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