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Câncer colorretal e Transplante de fígado

O transplante de fígado pode ser uma opção de tratamento do câncer colorretal para alguns pacientes selecionados. Foi feito um estudo na Noruega, onde foi avaliada a possibilidade desse tipo de tratamento não só para o câncer colorretal, como para outras doenças.

No post de hoje, iremos falar sobre o estudo da Noruega e um de seus critérios que possibilita o transplante de fígado como forma de tratamento em casos de câncer colorretal. Continue acompanhando!

Transplante de fígado no tratamento de câncer colorretal

O transplante de fígado como forma de tratamento do câncer colorretal tem sido um assunto muito atual, e que o nosso grupo médico está tentando tornar viável no Brasil para pacientes com essa doença, entretanto, essa forma de tratamento é para um número muito pequeno.

Estudo para viabilizar o transplante

A Noruega é um país que tem muita doação de órgãos, pois o público é muito competente em relação a isso. São tantos órgãos, que acabam sobrando, então eles passaram a estudar novas doenças que pudessem se beneficiar do transplante, retirando o órgão doente, colocando um novo e vendo o que poderia acontecer, e uma dessas doenças foi o câncer de cólon. 

Critérios que possibilitam o transplante

O transplante é uma cirurgia muito grande e muito cara, e que tem que ser oferecida, quando existe uma chance de metade dos doentes que se submeteram ao transplante estarem vivos depois de 5 anos. A ideia é que se você pegar esses doentes na fase em que eles estariam, depois de 5 anos todos estariam mortos, então pode ser oferecido o transplante para esses doentes, porque metade dessa população, no mínimo, estará viva. 

Mas o que isso quer dizer? Quando eu falo em 5 anos, não quer dizer que eles vão viver 5 anos, é que na população do ambiente em que você vive, se de 20 pessoas ou de 100 pessoas, um exemplo, 97% estarão vivas depois de 20 anos e 95% estarão vivas depois de 10 anos, então é o contrário, a gente faz uma sobrevida de 5 anos, que são os que estarão bem depois de 5 anos, depois a sobrevida de 10 anos, são os que estarão bem depois de 10 anos, isso é para a população geral, então quando eu falo "50% depois de 5 anos", é aquela população.

Casos de câncer no fígado

Como é possível fazer o transplante em uma pessoa que já teve a doença no intestino e já tem no fígado? São casos muito selecionados, em que o doente tem um tumor no fígado, e que o tumor fica limitado ao fígado durante o período de 6 meses da quimioterapia, sem sofrer redução, ficando isolado no fígado, e o paciente não tem metástase no pulmão, ossos ou em outro lugar. Sendo assim, esse paciente é estadeado, pois ele tem uma doença que não pode ser ressecada, não pode ser retirada e o fígado não pode ser submetido a ressecção, e se depois de 6 meses a doença estiver estável, ele pode ser operado, porque hoje é possível fazer a cirurgia nesse tipo de tumor.

Transplante de órgãos

O protocolo feito na Noruega, e que hoje é aceito no mundo inteiro, é muito rígido, e mostra que existem alguns poucos casos que podem ser transplantados. No Brasil a ANVISA e o CONEP estão em um processo de incorporação de novas tecnologias, analisando a viabilidade ou não de se tornar possível no Brasil.

Apesar de no país ser possível realizar o transplante com doador vivo, o Brasil tem uma defasagem no número de doações de órgãos, o que faz com que a ANVISA tenha esse trabalho de fazer uma equação adequada entre o número de órgãos e de pessoas que precisam de transplante, e isso é algo que está sendo analisado e que esperamos ter logo uma resposta para esse problema.

Então é possível sim fazer o tratamento de câncer colorretal com o transplante de fígado, mas em casos muito, muito selecionados. Seu oncologista pode direcionar se o seu caso for um desses, e aí indicar a consulta a um serviço de transplante.

Se você gostou desse assunto, comente e continue nos acompanhando para mais conteúdos como esse.

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dr Luiz Carneiro

Profº Dr.Luiz Carneiro

CRM: 22.761/SP

Diretor do Serviço de Transplante e Cirurgia do Fígado do Hospital das Clínicas, professor da FMUSP e chefe do Departamento de Gastroenterologia da FMUSP.

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