A esquistossomose pode comprometer o fígado quando os ovos do parasita provocam inflamação e fibrose nos vasos hepáticos. Em casos crônicos, a doença pode causar hipertensão portal, aumento do baço e outras complicações, tornando importantes o diagnóstico, o tratamento e a prevenção.

A esquistossomose é uma doença parasitária causada pelo Schistosoma mansoni. A infecção ocorre quando a pessoa entra em contato com água contaminada por larvas liberadas por caramujos.
Embora alguns casos sejam assintomáticos, a permanência dos ovos nos tecidos pode provocar inflamação e alterações intestinais ou hepáticas.
Quando não diagnosticada e tratada, a doença pode evoluir para fibrose ao redor dos vasos do fígado, hipertensão portal e aumento do baço. Neste artigo, abordaremos como a esquistossomose afeta o fígado, os sinais e complicações da forma hepatoesplênica e o diagnóstico, tratamento e prevenção. Leia até o final e saiba mais!
Como a esquistossomose afeta o fígado
A esquistossomose pode causar doença hepática porque parte dos ovos do Schistosoma mansoni fica retida em vasos do fígado. O organismo reage formando inflamação ao redor desses ovos. Com o passar do tempo, essa resposta pode produzir fibrose periportal, isto é, tecido cicatricial próximo aos ramos da veia porta.
As principais alterações relacionadas ao fígado incluem:
• Inflamação provocada pelos ovos do parasita
• Formação de fibrose periportal
• Dificuldade para a circulação do sangue portal
• Aumento da pressão nos vasos do sistema porta
• Crescimento do fígado e do baço
Essa lesão é diferente da cirrose causada por álcool ou hepatites virais. Na esquistossomose hepatoesplênica, as células do fígado podem manter parte de sua função por bastante tempo, enquanto a circulação portal sofre alterações. Mesmo assim, casos avançados podem provocar complicações graves.
A evolução depende da quantidade de parasitas, da duração da infecção, das reinfecções e da resposta imunológica. Por esse motivo, nem toda pessoa infectada desenvolverá comprometimento hepático.
Sinais e complicações da forma hepatoesplênica
A forma hepatoesplênica é uma manifestação crônica da esquistossomose, marcada principalmente por fibrose periportal, hipertensão portal e aumento do baço. Ela pode surgir após anos de infecção, especialmente quando há carga parasitária elevada ou reinfecções frequentes. Algumas pessoas permanecem sem sintomas por muito tempo, apesar das alterações internas.
Os sinais e sintomas possíveis incluem:
• Aumento do volume abdominal
• Desconforto ou dor na região abdominal
• Sensação de peso no lado esquerdo
• Fraqueza, cansaço e palidez
• Aumento do fígado ou do baço
• Presença de sangue nas fezes
A hipertensão portal pode formar veias dilatadas no esôfago e no estômago, chamadas varizes. Quando essas veias se rompem, pode ocorrer vômito com sangue ou eliminação de fezes escuras, situações que exigem atendimento de emergência. O aumento do baço também pode reduzir a quantidade de células sanguíneas, favorecendo anemia, infecções ou sangramentos.
Diagnóstico, tratamento e prevenção
O diagnóstico da esquistossomose considera o histórico de contato com água em áreas de transmissão, os sintomas e os exames. A pesquisa de ovos nas fezes é um dos métodos utilizados. Exames de sangue, ultrassonografia e avaliações podem ajudar a identificar alterações na circulação portal.
A investigação pode envolver:
• Exame parasitológico de fezes
• Testes laboratoriais
• Ultrassonografia do abdômen
• Endoscopia quando houver risco de varizes
• Avaliação da função hepática e sanguínea
O tratamento antiparasitário é realizado com praziquantel, conforme indicação profissional. O medicamento elimina os vermes adultos, mas alterações avançadas, como fibrose e hipertensão portal, podem exigir acompanhamento especializado e medidas adicionais. Varizes, sangramentos, anemia ou aumento do baço precisam de abordagem individualizada.
A prevenção depende da redução do contato com água contaminada, do diagnóstico e tratamento das pessoas infectadas, do controle dos caramujos e da melhoria do saneamento básico. Não é possível identificar a segurança da água apenas pela aparência. Rios, açudes, canais e lagoas em áreas de transmissão podem representar risco.
Perguntas frequentes (FAQ)
A esquistossomose pode realmente causar alterações no fígado?
Sim. Parte dos ovos do Schistosoma mansoni pode ficar retida nos vasos do fígado, provocando inflamação, fibrose periportal e alterações na circulação portal.
Quais complicações hepáticas podem surgir nos casos crônicos de esquistossomose?
A doença pode evoluir com fibrose periportal, hipertensão portal, aumento do fígado e do baço e, em casos avançados, complicações como varizes no esôfago ou estômago.
Quais sintomas podem indicar a forma hepatoesplênica da esquistossomose?
Aumento abdominal, dor ou desconforto, sensação de peso no lado esquerdo, cansaço, palidez e aumento do fígado ou do baço estão entre os possíveis sinais.
Como é feito o diagnóstico da esquistossomose com comprometimento hepático?
A investigação pode incluir exame parasitológico de fezes, testes laboratoriais, ultrassonografia do abdômen, avaliação da função hepática e, quando necessário, endoscopia.
Como é realizado o tratamento e a prevenção da esquistossomose?
O tratamento antiparasitário é feito com praziquantel, conforme indicação profissional, enquanto a prevenção envolve evitar contato com água contaminada, melhorar o saneamento e tratar pessoas infectadas.








