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Transplante de fígado com doador vivo

Transplante de fígado com doador vivo | Por Prof Luiz Carneiro CRM 22761 | Diretor do serviço de transplante e cirurgia do fígado do hospital das clínicas da faculdade de medicina da USP.
Transplante de fígado com doador vivo 2

Não são apenas os órgãos de pessoas já falecidas que podem ser transplantados para pacientes que sofrem com algum problema ou enfermidade. Você sabia que também é possível fazer o transplante de fígado com doador vivo?

Essa é uma das opções de tratamento para pessoas que estão em estado grave na fila de espera por esse órgão. Trata-se de um procedimento muito complexo, mas com boas chances de sucesso, e que hoje é adotado também para pessoas adultas.

Neste post falaremos um pouco a respeito desse tipo de doação para que você compreenda como ela é feita. Continue lendo e confira informações importantes sobre esse tipo de transplante de fígado.

O que é o transplante de fígado com doador vivo?

Uma característica muito interessante do fígado é a sua grande capacidade de regeneração, e é justamente ela que possibilita que seja feito o transplante de fígado com doador vivo. Nesse caso, parte do órgão é retirada de uma pessoa para ser implantada em outra.

Inicialmente esse tipo de procedimento foi pensado para ser realizado em crianças, já que havia um baixo número de doadores para esse grupo de pacientes. Porém, devido a sua eficácia, hoje é uma opção de tratamento para quem está na fila de espera, mas por causa do seu estado mais grave precisa de urgência.

Assim, voluntariamente uma pessoa pode optar por doar para esse paciente parte do seu fígado. São retirados cerca de 70% do órgão do doador para serem implantados no receptor. O fígado de quem doou se regenera, e assim, tanto essa pessoa como quem recebeu a parcela do fígado vivem normalmente.

Como é feito o procedimento

É importante ressaltar que o transplante de fígado com doador vivo somente pode ser feito por livre e espontânea vontade da pessoa que está fazendo doação. Não é necessário que as partes sejam parentes, porque mesmo pessoas estranhas podem realizar esse ato. A única exigência é que ele ocorra dentro da lei.

Mas somente a boa intenção não é suficiente, porque também é necessário que exista compatibilidade entre o receptor e o doador. São consideradas características como o tipo sanguíneo, peso, altura e a anatomia das veias, artérias e vias biliares.

Também é preciso fazer o cálculo do tamanho do fígado que será doado, porque ele deve estar de acordo com o peso do órgão do receptor. Tudo isso para garantir que seja suficiente para cumprir as funções orgânicas com sucesso.

A cirurgia

A cirurgia de transplante de fígado com doador vivo, como dito, é muito complexa e comumente os procedimentos ocorrem simultaneamente. É preciso cerca de 10 a 12 horas para que parte do fígado do doador seja retirada e implantada no receptor.

Assim, primeiramente o doador vivo é operado para que seja feita a hepatectomia direita, que é a cirurgia mais comum nesse tipo de procedimento, utilizando o lobo direito do fígado. A utilização do lobo esquerdo é mais realizada em crianças.

Ao mesmo tempo, é feita a hepatectomia total no receptor, para ser retirado todo o seu órgão doente. Em seguida desse procedimento, acontece a fase anepática, que é quando o paciente receptor sobrevive sem o seu fígado.

O órgão a ser doado é preparado na etapa chamada de back-table cujo objetivo é adequar o calibre e também o tamanho do órgão e dos vasos sanguíneos. Em seguida, o fígado é implantado no receptor, que precisa permanecer um ou dois dias numa unidade de terapia intensiva para acompanhamento do seu quadro clínico.

O tempo de internação, tanto do receptor como do doador, varia entre uma e duas semanas para que ambos sejam monitorados e observado se não ocorre nenhum tipo de complicação.

Possíveis complicações nesse tipo de transplante

Embora complexo, o transplante de fígado com doador vivo é uma cirurgia que já está bem estabelecida e considerada segura, mas assim como qualquer procedimento operatório ela também apresenta riscos, tanto para o doador como para o receptor. Eles são aqueles rotineiros, consideradas complicações simples como infecções, pneumonia e trombose.

O risco de óbito é de cerca de 0,05¨%, e sobre a recuperação do receptor, é importante saber que isso depende muito das condições de cada paciente. O doador costuma ter uma recuperação muito rápida, já para o receptor é preciso considerar que o órgão doado pode não funcionar, o que exigiria a necessidade de uma nova operação.

Dessa maneira, embora seja um tratamento com grandes taxas de sucesso, é importante que a pessoa interessada em fazer a doação para o transplante de fígado com doador vivo esteja ciente de tudo isso, bem como o receptor, para que todo procedimento seja realizado dentro da lei. Mas é fato que trata-se de uma técnica de grande valia para salvar muitas vidas.

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Prof. Dr. Luiz Carneiro
Prof. Dr. Luiz Carneiro CRM: 22.761/SP, diretor do Serviço de Transplante e Cirurgia do Fígado do Hospital das Clínicas, professor da FMUSP e chefe do Departamento de Gastroenterologia da FMUSP.

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