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A relação entre a febre amarela e o transplante de fígado

A relação entre a febre amarela e o transplante de fígado | Por Prof Luiz Carneiro CRM 22761 | Diretor do serviço de transplante e cirurgia do fígado do hospital das clínicas da faculdade de medicina da USP.
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A febre amarela é uma doença infecciosa que afeta o fígado. Tem curta duração, em média 10 dias, no entanto, a sua gravidade é variável. Há pacientes que não manifestam sintomas ou eles são muito sutis e a cura se dá de forma espontânea. Em outros, raros, ocorre a forma mais grave da doença que pode afetar todo o organismo.

Quando essa forma de febre amarela causa o comprometimento restrito ao fígado, existe a possibilidade da realização de um transplante para que o paciente tenha maiores chances de sobrevida. Porém, raras exceções exigem esse tipo de intervenção, e nós vamos falar sobre elas neste artigo.

Continue lendo para entender quando o transplante de fígado é recomendado para pacientes com febre amarela e confira outras informações que vão esclarecer melhor os detalhes sobre esse tratamento.

Quem adquire febre amarela precisa de transplante de fígado?

A grande maioria dos pacientes infectados pela febre amarela, cerca de 85%, manifestam a forma benigna da doença. Ela evolui sem grandes riscos como qualquer outra patologia viral, no entanto, entre 10 e 15% desses pacientes podem desenvolver a forma mais grave da febre amarela. Somente nesses casos pode haver a indicação do transplante de fígado.

Mesmo entre eles não são todos que precisam ou devem passar por essa cirurgia. Cada caso é avaliado em suas características, já que deve ser considerada a intensidade da gravidade da febre amarela e as condições do paciente.

Quando a doença se desenvolve para essa forma ocorrem diversas complicações orgânicas que incluem:

  • comprometimento do fígado, pâncreas e estômago;
  • sangramento do tubo digestivo;
  • comprometimento dos pulmões;
  • complicações neurológicas, como crise convulsiva, coma e confusão mental.

Sendo assim, a avaliação dos casos graves e a indicação do transplante de fígado tem que ser de forma precoce e em centro de excelência pois apenas são candidatos para a realização de transplante de fígado e ser opção para assegurar a vida dos pacientes que tem comprometimento da função do fígado, com elevação das enzimas AST e ALT, e distúrbio de coagulação que podem tardiamente (horas ou dias) levar a coagulação intravascular disseminada (CIVD) e sangramentos, associados a alterações neurológicas como hipertensão intracraniana e o coma.

O transplante é um tratamento vantajoso para o paciente?

Ainda não se tem dados suficientes para traçar um perfil dos resultados alcançados com o transplante de fígado em casos de febre amarela. Essa terapia ainda está em avaliação, já que existem centros espalhados pelo Brasil que já realizaram esse tipo de tratamento, cada qual em diferentes estruturas e condições hospitalares. Existem alguns casos com comprometimento sistêmico que estão sendo mais beneficiados com tratamento intensivo em unidade de terapia intensiva, associado com plasmaferese e hemodiálise.

No entanto, o que se pode notar dos pacientes já transplantados é que essa terapia de fato apresenta uma boa eficácia e tem um papel benéfico. Afinal, o fígado é um órgão vital e, sendo assim, não é possível a pessoa viver sem ele. Então, em casos de grande comprometimento deste órgão, realizar o transplante pode ser a única opção.

Um paciente de qualquer idade pode fazer o transplante de fígado?

Geralmente as pessoas infectadas por febre amarela se caracterizam como um público jovem entre 15 e 30 anos. Por isso, quando há o desenvolvimento da forma mais grave da doença o transplante pode ser um recurso para assegurar a sobrevida de um paciente.

No entanto, esse tipo de tratamento não se limita a pessoas nessa faixa etária. Também é possível realizá-lo empessoas mais velhas, mas o ideal seria até os 60 ou 65 anos para ter maiores chances de alcançar bons resultados.

Isso porque a manifestação da forma grave da febre amarela em pessoas idosas é muito comprometedora e a chance de sobrevivência reduz bastante. Para pacientes mais novos, como seu organismo é mais resistente, podemos obter sucesso.

É possível o transplante intervivos nesse caso?

Para realização de um transplante de fígado intervivos, ou seja, de um doador vivo para o paciente, é necessário fazer uma grande preparação antes do procedimento em si. Diversos exames devem ser realizados, inclusive para eliminar a possibilidade de uma doença infecciosa na pessoa doadora.

Porém, como dito, a febre amarela é uma infecção que evolui muito rápido, por isso, como a preparação do transplante intervivos é demorada, não haveria tempo hábil para realizar o procedimento. Sendo assim, habitualmente é preferível realizar o transplante de fígado em casos de febre amarela com um doador morto.

Para os pacientes que desenvolveram a forma muito grave de febre amarela, o transplante de fígado pode ser a única opção. Mas ressaltamos que os casos precisam ser avaliados criteriosamente a fim de observar se de fato o procedimento seria benéfico, não ter indicação ou tarde demais.

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Prof. Dr. Luiz Carneiro
Prof. Dr. Luiz Carneiro CRM: 22.761/SP, diretor do Serviço de Transplante e Cirurgia do Fígado do Hospital das Clínicas, professor da FMUSP e chefe do Departamento de Gastroenterologia da FMUSP.

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