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Cirurgia do intestino: quando é preciso retirar uma parte?

Índice

A cirurgia do intestino pode exigir a retirada de um segmento quando existem obstruções provocadas por aderências, tumores ou divertículos inflamados e perfurados. Dependendo da região afetada e das condições do paciente, podemos reconstruir o trânsito intestinal durante a própria cirurgia ou utilizar temporariamente uma bolsa coletora. Entenda em quais situações cada procedimento pode ser necessário.

A cirurgia do intestino pode envolver a retirada de um segmento intestinal quando determinadas alterações comprometem seu funcionamento. Obstruções graves, tumores e divertículos inflamados com perfuração estão entre as situações que podem exigir esse procedimento.

Após a retirada da parte comprometida, avaliamos a possibilidade de unir novamente as extremidades intestinais. Entretanto, existem diferenças importantes entre as cirurgias realizadas no intestino delgado e no intestino grosso, especialmente em relação ao risco de contaminação e à necessidade de uma bolsa coletora temporária.

Aderências intestinais podem exigir a retirada de parte do intestino?

Atualmente, as cirurgias por aderências intestinais são menos frequentes, principalmente devido à evolução das técnicas cirúrgicas. Procedimentos realizados por videolaparoscopia ou cirurgia robótica apresentam menor incidência de aderências pós-operatórias quando comparados às cirurgias abertas.

Entretanto, existem situações em que precisamos realizar uma cirurgia com abertura do abdômen. Nesses casos, podem surgir aderências internas que comprometem o funcionamento intestinal.

Algumas dessas aderências podem provocar o que popularmente conhecemos como “nó nas tripas”. Trata-se de uma situação em que as alças intestinais ficam comprometidas por aderências importantes, podendo ocorrer inflamação, estreitamento e até obstrução completa da passagem intestinal.

Quando encontramos um segmento totalmente obstruído e comprometido, pode ser necessário realizar sua retirada.

Nesse procedimento, removemos a parte afetada e unimos novamente as extremidades saudáveis, permitindo o restabelecimento do trânsito intestinal.

Como é realizada a retirada e a reconstrução do intestino?

A retirada de um segmento intestinal é chamada de ressecção intestinal. Depois de remover a parte comprometida, podemos realizar a união das extremidades saudáveis, procedimento conhecido como anastomose intestinal.

Atualmente, na maioria das situações apresentadas, utilizamos suturas mecânicas realizadas com grampeadores cirúrgicos.

Esses dispositivos permitem unir as extremidades do intestino e, conforme explicado, também contribuem para diminuir a formação futura de aderências.

A reconstrução tem como objetivo restabelecer a continuidade intestinal, permitindo que seu conteúdo volte a passar pela região operada.

Além das obstruções provocadas por aderências, existem outras condições que podem exigir a retirada de um segmento intestinal, como:

  • Tumores intestinais: quando identificamos um tumor que precisa ser removido, podemos retirar a região afetada e reconstruir o trânsito intestinal.
  • Divertículos inflamados e perfurados: determinadas complicações inflamatórias podem exigir a remoção do segmento comprometido.
  • Obstruções intestinais importantes: quando a passagem está completamente bloqueada e o segmento precisa ser retirado, realizamos a ressecção e avaliamos a possibilidade de reconstrução.

A maneira como essa reconstrução será feita depende, principalmente, de qual parte do intestino foi comprometida.

Qual é a diferença entre operar o intestino delgado e o intestino grosso?

Existe uma diferença importante entre os procedimentos realizados nessas duas regiões do intestino.

No intestino delgado, o conteúdo intestinal é predominantemente líquido e apresenta menor carga bacteriana, especialmente nas porções mais próximas do estômago.

Por essa razão, em quase todos os casos descritos, conseguimos retirar o segmento comprometido e realizar a anastomose no mesmo ato cirúrgico.

Isso significa que removemos a parte afetada e unimos novamente as extremidades intestinais durante a própria operação.

No intestino grosso, entretanto, encontramos fezes já formadas. Quando existe um quadro de evolução prolongada, com muitas horas ou até dias de obstrução e inflamação, o risco de complicações relacionadas à sutura pode aumentar.

Nessas condições, a união imediata das extremidades intestinais pode apresentar maior risco de abertura dos pontos, permitindo a contaminação da cavidade abdominal.

Essa é uma complicação potencialmente muito grave, que pode colocar a vida do paciente em risco.

Por isso, em determinadas situações, precisamos adotar uma estratégia diferente para proteger o paciente.

Quando é necessário utilizar uma bolsa de colostomia?

Quando realizamos a retirada de um segmento do intestino grosso e encontramos condições que tornam a reconstrução imediata arriscada, podemos precisar utilizar temporariamente uma bolsa coletora.

Nessa situação, fechamos a extremidade intestinal que ficará sem trânsito e exteriorizamos a outra extremidade, permitindo que o conteúdo intestinal seja eliminado para fora do organismo.

Dessa forma, evitamos realizar uma união intestinal em condições nas quais o risco de abertura dos pontos e contaminação abdominal está aumentado.

A utilização da bolsa permite aguardar a melhora do processo inflamatório e a recuperação das condições da cavidade abdominal.

É importante compreender que essa estratégia está relacionada à segurança da reconstrução intestinal, especialmente quando existe um processo inflamatório importante e risco elevado de complicações.

Quando podemos reconstruir o trânsito intestinal?

Nos casos em que precisamos utilizar temporariamente uma bolsa após a retirada de parte do intestino grosso, a reconstrução do trânsito intestinal pode ser realizada alguns meses depois.

Para isso, aguardamos a normalização do processo inflamatório e a recuperação das condições da cavidade abdominal.

Quando essas condições permitem, realizamos uma nova cirurgia para restabelecer a continuidade intestinal.

Já nas cirurgias do intestino delgado, a reconstrução geralmente pode ser realizada no mesmo procedimento em que retiramos o segmento comprometido.

Isso acontece porque o conteúdo do intestino delgado é mais líquido e apresenta menor carga bacteriana, principalmente em suas porções superiores.

Portanto, a possibilidade de realizar uma anastomose imediata ou utilizar temporariamente uma bolsa depende das características da região intestinal operada e das condições encontradas durante a cirurgia.

Perguntas frequentes (FAQ)

Quando é necessário retirar uma parte do intestino?

A retirada de um segmento intestinal pode ser necessária quando existem obstruções graves provocadas por aderências, tumores ou divertículos inflamados com perfuração. Nessas situações, removemos a parte comprometida e avaliamos a possibilidade de reconstruir o trânsito intestinal.

O que são aderências intestinais e como podem causar obstrução?

As aderências são alterações internas que podem se formar após cirurgias abdominais. Em determinadas situações, comprometem a posição e a passagem pelas alças intestinais, podendo provocar estreitamento e até obstrução completa.

Como o intestino é reconstruído após a retirada de um segmento?

Após remover a parte comprometida, podemos unir as extremidades saudáveis por meio de uma anastomose intestinal. Atualmente, essa união é frequentemente realizada com grampeadores cirúrgicos, utilizando sutura mecânica.

Toda cirurgia para retirada de parte do intestino exige uma bolsa de colostomia?

Não. Nas cirurgias do intestino delgado, geralmente conseguimos reconstruir o trânsito intestinal durante o mesmo procedimento. Já no intestino grosso, quando existe maior risco de contaminação e complicações, pode ser necessário utilizar temporariamente uma bolsa coletora.

É possível retirar a bolsa de colostomia e reconstruir o intestino?

Sim, em determinadas situações. Quando utilizamos uma bolsa temporária após a retirada de parte do intestino grosso, podemos realizar a reconstrução do trânsito intestinal alguns meses depois, após a melhora do processo inflamatório e a recuperação das condições da cavidade abdominal.

Profº Dr. Luiz Carneiro
CRM: 22.761/SP | RQE: 133842 - CIRURGIA DO APARELHO DIGESTIVO
Diretor do Serviço de Transplante e Cirurgia do Fígado do Hospital das Clínicas, professor da FMUSP e chefe do Departamento de Gastroenterologia da FMUSP.
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