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Gastrectomia no tratamento do câncer gástrico

Índice

A gastrectomia é um dos tratamentos contra o câncer gástrico, sendo fundamental nos casos em que o tumor está localizado e ressecável. Entender o que é essa cirurgia, seus diferentes tipos e como é a recuperação no pós-operatório é essencial para pacientes e familiares. Entenda mais sobre esse assunto!

Ilustração anatômica do sistema digestivo humano com destaque iluminado no estômago, indicando possível foco de dor ou tratamento.

O câncer gástrico é uma das neoplasias mais comuns no mundo, especialmente em países da Ásia e América Latina. Muitas vezes silencioso em seus estágios iniciais, ele é frequentemente diagnosticado em fases avançadas, exigindo intervenções cirúrgicas. 

A gastrectomia, que consiste na remoção parcial ou total do estômago, é uma das principais estratégias no tratamento curativo da doença. Seu tipo e extensão dependem da localização e estágio do tumor. 

Neste artigo, abordaremos o que é a gastrectomia e quando ela é indicada no câncer gástrico, os tipos de gastrectomia e reconstruções possíveis e a recuperação, cuidados pós-operatórios e qualidade de vida após a cirurgia. Leia até o final e saiba mais!

O que é a gastrectomia e quando ela é indicada no câncer gástrico

A gastrectomia é o procedimento cirúrgico que consiste na remoção de parte ou de todo o estômago. Ela é indicada no tratamento do câncer gástrico quando o tumor está localizado e pode ser retirado com margem de segurança. 

A cirurgia pode ter caráter curativo, nos casos iniciais e localizados, ou paliativo, para aliviar sintomas em estágios avançados.

As principais indicações da gastrectomia são:

  • Neoplasias que não invadiram estruturas adjacentes
  • Câncer com linfonodos regionais comprometidos, porém ainda operáveis

Antes da cirurgia, o paciente é avaliado com exames de imagem, endoscopia e biópsias para determinar o estágio da doença e a viabilidade da ressecção. 

Em alguns casos, pode ser indicada quimioterapia neoadjuvante (antes da cirurgia) para reduzir o tumor e melhorar o resultado.

A gastrectomia pode melhorar significativamente a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes, principalmente quando realizada precocemente. 

Por isso, o rastreio e o diagnóstico rápido são essenciais para ampliar as chances de sucesso no tratamento do câncer gástrico.

Tipos de gastrectomia: parcial, total e reconstruções possíveis

A escolha do tipo de gastrectomia depende da localização, tamanho e extensão do câncer gástrico. Existem duas principais modalidades: a gastrectomia parcial e a gastrectomia total.

Na gastrectomia parcial:

  • Apenas uma parte do estômago é removida, a porção inferior (antro)
  • É indicada quando o tumor está localizado no terço distal do estômago
  • O restante do estômago é conectado diretamente ao intestino delgado (duodeno ou jejuno)

Na gastrectomia total:

  • Todo o estômago é removido
  • Indicada para tumores difusos ou localizados no terço superior do estômago
  • A reconstrução é feita ligando o esôfago diretamente ao intestino delgado (jejunostomia)

Após a retirada do estômago, é necessário reconstruir o trânsito gastrointestinal para permitir a digestão e absorção dos alimentos. As técnicas mais comuns de reconstrução incluem:

  • Reconstrução em Y de Roux (mais usada)
  • Gastroduodenostomia (raramente feito, na parcial)
  • Gastrojejunostomia (quando o duodeno não é utilizável)

Cada tipo de reconstrução possui implicações diferentes na absorção dos nutrientes e na adaptação alimentar do paciente. 

O planejamento cirúrgico detalhado e o preparo pré-operatório são fundamentais para garantir melhores resultados clínicos e qualidade de vida após o procedimento.

Recuperação, cuidados pós-operatórios e qualidade de vida após a cirurgia

A recuperação após a gastrectomia exige acompanhamento contínuo e adaptação a um novo padrão alimentar. 

O período pós-operatório imediato pode envolver internação hospitalar de 5 a 10 dias, com retorno gradual à alimentação por via oral, iniciando por líquidos e depois alimentos pastosos.

Cuidados essenciais incluem:

  • Controle da dor com analgésicos
  • Monitoramento de sinais de infecção ou complicações como fístulas ou sangramentos
  • Acompanhamento nutricional intensivo

Após a alta, o paciente deve:

  • Realizar refeições pequenas e frequentes (5 a 6 vezes ao dia)
  • Mastigar bem os alimentos
  • Tomar suplementos vitamínicos e minerais, especialmente vitamina B12, ferro e cálcio

Com o tempo, o organismo se adapta à nova forma de digestão, mas a perda de peso e a sensação de saciedade precoce são comuns. 

A qualidade de vida pode ser preservada, especialmente quando o paciente recebe orientação contínua de nutricionista e equipe médica.

O retorno às atividades normais varia de acordo com a evolução individual, geralmente ocorrendo entre 4 a 8 semanas após a cirurgia. 

O apoio psicológico e a reabilitação nutricional são fundamentais para ajudar o paciente a superar as mudanças impostas pelo tratamento do câncer gástrico.

Profº Dr. Luiz Carneiro
CRM: 22.761/SP | RQE: 133842 - CIRURGIA DO APARELHO DIGESTIVO
Diretor do Serviço de Transplante e Cirurgia do Fígado do Hospital das Clínicas, professor da FMUSP e chefe do Departamento de Gastroenterologia da FMUSP.
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