CIRROSE

  • O que é Cirrose?

A cirrose é uma doença crônica bastante comum em homens com mais de 45 anos de idade, e que também pode atingir muitas mulheres. Ela é caracterizada por formação de fibrose e nódulos no fígado, que bloqueiam e dificultam a circulação sanguínea. Desta forma, o fígado fica comprometido e não consegue desempenhar suas milhares de funções, como produzir bile e proteínas, auxiliar na manutenção dos níveis de açúcar no sangue, metabolizar o colesterol e o álcool, entre outras.


 

  • Quais são as causas da cirrose?

É importante destacar que o uso abusivo de álcool é a principal causa dessa doença. O fígado é responsável pela metabolização do álcool e, se ele for exposto a doses excessivas, pode sofrer danos em seus tecidos vitais, passando a não funcionar normalmente.

As hepatites crônicas, originadas dos vírus B e C e do uso de alguns medicamentos, assim como as hepatites autoimunes, também podem provocar a cirrose no ser humano.

O que é Hepatite B?

A hepatite B é causada pelo vírus chamado de VHB. Ao entrar no organismo, o vírus ataca as células do fígado e começa a se multiplicar, levando à inflamação do órgão. Este tipo de vírus é capaz de sobreviver no ambiente externo por diversos dias, e tem um período de incubação que dura, em média, de um a quatro meses.

O que é Hepatite C?

Transmitida pelo vírus VHC, principalmente, por meio de sangue contaminado, é uma doença viral, que pode causar a inflamação do fígado. Por não apresentar sintomas na maioria das vezes, segundo a Organização Mundial da Saúde, somente uma a cada 20 pessoas sabe que tem o problema, e apenas uma a cada 100 recebe o tratamento.


 

  • Quais são os sintomas da cirrose?

Náuseas, vômitos, fadiga, mal-estar, pele amarelada, fraqueza, perda de peso, dores no abdômen, perda de cabelo e inchaço no corpo, são alguns dos sinais de alerta da cirrose. Se o caso do paciente estiver mais avançado, pode ser que ele tenha encefalopatia hepática, varizes de esôfago, alterações renais e tumores de fígado.

Estima-se que, em aproximadamente 40% dos casos de cirrose, o paciente não possui sintomas. Ao ficar muito tempo sem saber da doença, pode ser que ao ser descoberta, ela já esteja em um estágio mais avançado.


 

  • Como é feito o diagnóstico?

A partir do histórico clínico do paciente, de exames laboratoriais e de imagem, é que se obtém o diagnóstico da doença. No entanto, pode ser que em alguns casos seja necessária a biópsia do fígado, para que seja avaliado também o desenvolvimento de um câncer no indivíduo.

O diagnóstico precoce é sempre muito importante, para que seja iniciado o tratamento o mais rapidamente possível, evitando futuras complicações ou até mesmo, um óbito.


 

  • Como tratar a cirrose?

É necessário conter o avanço da doença e acabar com o agente agressor, que pode ser o álcool e o vírus da hepatite. Com relação à dieta, o paciente precisará de uma alimentação saudável, evitando excesso de sal, frituras, carne vermelha, com refeições em pequenas porções ao longo do dia. Além disso, refrigerantes devem ser evitados, e bebidas alcoólicas cortadas por completo.

A cura da cirrose, atualmente, só é possível a partir do transplante de fígado, em que o órgão é substituído por um fígado inteiro, no caso de doador cadáver; ou por parte dele, em transplante intervivos.


 

  • É possível evitar a cirrose?

Para prevenir o surgimento da doença, deve-se evitar a ingestão de bebidas alcoólicas. Além disso, é importante o uso de preservativos nas relações sexuais, e utilizar seringas descartáveis para não ser contaminado pelo vírus das hepatites B e C.

Caso o paciente já tenha contraído o vírus da hepatite, precisa realizar o tratamento com acompanhamento médico, a fim de que o problema não leve à cirrose hepática.

A hepatite B pode ser evitada a partir de vacinas que estão disponíveis para a população. Então, o ideal é que a pessoa verifique se o organismo está imunizado dessas doenças.


 

Prof. Dr. Luiz Carneiro

Diretor da Divisão de Transplantes de Fígado e Orgãos do Aparelho Digestivo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP

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