Resumo do transplante com doador cadáver

Resumo do transplante com doador cadáver

O fígado é um dos principais órgãos do corpo humano, responsável por cumprir diversas funções como o metabolismo de nutrientes, o processamento de hormônios, o armazenamento e liberação da glicose, além de participar ativamente do processo de digestão, entre outros.

É por isso que o ser humano não pode sobreviver sem esse órgão, e quando há complicações nele, diversos distúrbios ocorrem na saúde. Como doenças sérias podem afetar o fígado, muitas vezes é necessário que o paciente seja submetido ao transplante de fígado com doador cadáver.

Neste artigo falaremos um pouco a respeito desse ramo da medicina e você conhecerá um pouco da sua história, além de como é feito esse processo desde a escolha do doador até o método em si. Continue lendo para saber mais.

Um pouco da história do transplante de fígado doador cadáver

O primeiro transplante de fígado foi realizado nos Estados Unidos pelo Dr. Thomas Starzl, em 1963. O paciente era uma criança de três anos que entrou em óbito durante a cirurgia. Após esse episódio e ainda no mesmo ano, mais dois transplantes foram realizados pelo mesmo médico e os pacientes também vieram a óbito.

Mas no ano de 1967 o Dr. Thomas realizou um procedimento que possibilitou a sobrevivência do paciente por um período mais longo, mas ele acabou falecendo em função de um câncer que já tinha antes da realização do transplante.

O primeiro transplante bem-sucedido na América Latina aconteceu em 1968, realizado pelo Dr. Marcel Cerqueira César Machado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Após esse episódio bem-sucedido, a técnica vem passando por diversas inovações e desenvolvimentos ao longo dos anos. Cada vez mais aumenta o número de transplantados, o que está possibilitando salvar muitas vidas.

Veja também: É possivel realizar o transplante do fígado inter vivos 

Indicação do transplante de fígado

A principal indicação do transplante de fígado é para os pacientes que sofrem com cirrose hepática. Isso porque ela causa danos irreversíveis para as células desse órgão, interferindo em suas funções. Esse problema pode ser causado por hepatites do tipo B, C e autoimune, as cirroses biliares primária e secundária, além do consumo excessivo de álcool e casos de colangite esclerosante, entre outros.

O fígado a ser doado pode provir de vários tipos de doadores , com diversas idades e causas de óbitos. Dê preferência,  os doadores jovem e sadio, cujo o óbito tenha ocorrido há pouquíssimo tempo e imediatamente tenha sido atendido são uma das melhores apresentações de doadores, mas nunca um pre requisito e nem mesmo uma obrigatoriedade. Devemos incentivar a todos a doarem seus órgãos, pois todos podemos ser doadores, independente da idade e cauda do óbito.  Isso para prevenir a deterioração dos órgãos vitais, o que é segura que o fígado estará em boas condições e aumenta as chances de ser bem aceito pelo receptor.

Etapas da realização do transplante de fígado com doador cadáver

Para que uma pessoa seja candidata a receber um fígado doado por cadáver ela precisa estar inscrita na lista de espera, que é única para todos os pacientes. Existe uma lista também para crianças e adolescentes, que segue os mesmos parâmetros da anterior.

Cada paciente ocupa um lugar de acordo com seu tipo sanguíneo e é classificado com um valor correspondente à urgência do caso. Dessa forma, é possível dar preferência para quem está na frente e tem um caso mais grave.

Para que o fígado seja doado é preciso que a família do doador autorize a retirada do órgão e a transplantação em outra pessoa. Todo o processo de doação de órgãos respeita a lei vigente no país e a confirmação da morte encefálica do doador.  Obtida essa autorização, uma equipe especializada faz a retirada do órgão e ele é preservado em uma solução especial para que seja transportado até o local do implante.

Durante todo o processo o paciente é totalmente monitorado e acompanhado para assegurar a estabilidade da sua saúde e a aceitação do fígado. Na fase do pós-operatório, é fundamental adotar uma série de cuidados para que o órgão transplantado não seja rejeitado pelo organismo e possa ocorrer a devida recuperação.

Caso o fígado não cumpra as suas funções depois de transplantado para o receptor, ele precisa voltar à fila de espera, mas então passa a ser priorizado para receber um novo órgão urgentemente.

O transplante de fígado com doador cadáver é uma técnica utilizada em todo o mundo e bem estabelecida, que precisa ser realizada por uma equipe altamente especializada e no momento certo. Isso para que o paciente possa receber um órgão de boa qualidade e seu organismo esteja pronto para isso, aumentando as chances de sucesso do procedimento.

 

Prof. Dr. Luiz Carneiro
Diretor da Divisão de Transplantes de Fígado e Orgãos do Aparelho Digestivo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
TIRE SUAS DÚVIDAS

Um doador falecido pode salvar a vida de até 15 pessoas

Um doador falecido pode salvar a vida de até 15 pessoas

O problema da falta de doadores é mundial?

No mundo oriental, Japão, Coreia, por motivos religiosos, eles não têm costume de doar, mas estão fazendo uma grande campanha e tem progredido e hoje já tem índices doação que já são bons.

Nós, no Brasil temos pouco doadores, muito insatisfatório. Na Espanha, temos 42 doadores por milhão. Aqui no Brasil, a nossa meta é 16,5 por milhão. Tudo porque não existe educação continuada, nós temos de ter educação de como abordar as famílias, num momento de dor, é muito difícil o neurologista chegar para a equipe médica e dizer: – esse paciente já tem critério de morte cerebral. Você chega lá e fala para a família: seu ente querido teve morte encefálica, não tem mais vida, você quer doar os órgãos. Então, essa abordagem gera negativa familiar, e se o doente não manifestar o desejo em vida ou não soubermos o que ele queria, a maioria das famílias vai negar.

Então uma maneira é que a gente se manifeste em vida deixando claro a nossa vontade.

Meu filho já sabe que eu sou doador, minha família já sabe. Então nessas situações, fica mais fácil a doação.

Outro cenário, o doente está grave com um trauma neurológico, caiu da moto, bateu a cabeça e por situações mais dramáticas levou ao trauma da cabeça e a equipe sabe que tem um problema neurológico e tem que contar com equipes treinadas que acompanham a família dizendo que se houve piora neurológica, existe a doação. Então, pessoas treinadas para dar notícias adversas procuram os parentes e aí as famílias vão entender o processo e saber que uma doação pode salvar 14,15 pessoas.  Uma única doação de uma vez.

Então, são situações diferentes, por isso que na Espanha há bons resultados. No Brasil, isso é um pouco de vontade. Em São Paulo, o índice de doação de 22, 23 doadores por milhão. Santa Catarina e Paraná já têm 40, 42 porque existe investimento e treinamento, o que faz com que haja uma grande diminuição da recusa familiar e também das equipes.

Também tem o outro lado, você notifica uma morte cerebral e a enfermeira da UTI ajuda a notificar e aquele doador não é usado porque teve recusa. Depois de 3,4, vezes perde-se o interesse pela falta de recompensa que alguém que fez a doação e beneficiou 15 pessoas. Aí isso gera uma cadeia, se tem negativas, as pessoas vão perdendo o interesse.

Precisamos educar, treinar as equipes médicas para que comunique as famílias que existe um risco de morte encefálica e quem puder doar, explicar e que as famílias tenham um tempo para decidir. Acho que esse é um aspecto muito importante que temos sempre que lembrar.

Espero que todos sejam doadores, para que isso gere uma cadeia positiva. É o que todos nós queremos.

Prof. Dr. Luiz Carneiro
Diretor da Divisão de Transplantes de Fígado e Orgãos do Aparelho Digestivo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
TIRE SUAS DÚVIDAS

Dia Mundial da Doação de Órgãos, hoje o Brasil comemora alta de 16% nos transplantes

Dia Mundial da Doação de Órgãos, hoje o Brasil comemora alta de 16% nos transplantes

No dia Mundial da doação de órgãos, Ministério da Saúde registra recorde de 1662 doadores no primeiro semestre deste ano em comparação ano passado. Apesar deste número recorde de 16% sobre 2016, o déciti de órgãos é muito grande.

Um único doador pode salvar dez vidas. De cada oito potenciais doadores de órgãos, apenas um é notificado.

Diante disso, o Governo lançou uma campanha para sensibilizar as famílias de pacientes com morte cerebral.

Atualmente, 26.507 pessoas aguardam por um rim; 11.413, por córnea; 1.904, por fígado; 389, por coração; 203, por pulmão; e 64, por pâncreas.

A falta de conhecimento sobre a vontade do parente são as principais barreiras para a doação de órgãos no Brasil. O estado de Minas Gerais é o local do Brasil onde há a maior aceitação familiar.

A campanha publicitária para estimular a doação de órgãos voluntária no País tem o slogan “Seja um doador de órgãos. Seja um doador de vidas.”

Serão distribuídos 200 mil cartazes, 500 mil folders, anúncios em jornal e revista, outdoors, peças para internet e redes sociais (Facebook, Orkut, You Tube), entre outros. A campanha ficará no ar durante 15 dias.

O Brasil é muito elogiado pela Central Única de Notificação, Captação e distribuição de órgãos, instituição que coordena a captação e a alocação dos órgãos, baseada na fila única, estadual ou regional.

 

O potencial doador cadáver

Considera-se como potencial doador todo paciente em morte encefálica. No Brasil, o diagnóstico de morte encefálica é definido pela Resolução CFM n° 1480/97, devendo ser registrado, em prontuário, um Termo de Declaração de Morte Encefálica que descreva todos os elementos do exame neurológico que demonstrem ausência dos reflexos do tronco cerebral, bem como o relatório de um exame complementar que assegure esse diagnóstico.

 

Morte encefálica

Morte encefálica e coma não são sinônimos. No estado de coma o encéfalo está vivo, executando suas funções de manutenção da vida. Na morte encefálica, apenas o coração pode continuar batendo, em razão de seu marcapasso próprio, e por pouco tempo, o suficiente para o aproveitamento de órgãos saudáveis para transplante. O diagnóstico definitivo da morte encefálica é confirmado por exames que demonstrem a ausência de fluxo sangüíneo intracraniano.

 

Quem pode ser doador de órgãos após a morte?

Para ser doador após a morte não é necessário portar nenhuma documentação, mas é fundamental comunicar à própria família o desejo da doação posto que, após o diagnóstico de morte encefálica, a doação só se concretiza após a autorização dos familiares, por escrito, o que, na dependência do órgão a ser transplantado, exige, por vezes, rapidez. Coração, pulmões, fígado e pâncreas só podem ser transplantados se removidos após a morte encefálica e antes da parada cardíaca; a retirada de córneas e ossos pode ser feita até 6 horas após a parada cardíaca; e, no caso dos rins, o limite é de um máximo de 30 minutos após a parada cardíaca.

 

Quem pode ser doador vivo?

Em princípio, o doador vivo é uma pessoa, em boas condições de saúde, capaz juridicamente, ou seja, maior de 21 anos e que concorde com a doação, não existindo um limite superior de idade. Por lei, pais, irmãos, filhos, avós, tios, primos de primeiro grau e cônjuges podem ser doadores, desde que haja compatibilidade entre o sistema ABO do receptor e dos possíveis doadores. Os doadores não parentes só podem doar em condições especiais, após liberação judicial, conforme dita a lei n° 10211.

 

Como posso ser doador?

Hoje, no Brasil, para ser doador não é necessário deixar nada por escrito, em nenhum documento. Basta comunicar sua família do desejo da doação. A doação de órgãos só acontece após autorização familiar.

 

Que tipos de doador existem?

Doador vivo – Qualquer pessoa saudável que concorde com a doação. O doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula óssea e parte do pulmão. Pela lei, parentes até quarto grau e cônjuges podem ser doadores; não parentes, somente com autorização judicial.

Doador cadáver – São pacientes em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) com morte encefálica, geralmente vítimas de traumatismo craniano ou AVC (derrame cerebral). A retirada dos órgãos é realizada em centro cirúrgico como qualquer outra cirurgia.

 

Quais órgãos e tecidos podem ser obtidos de um doador cadáver?

Coração, pulmão, fígado, pâncreas, intestino, rim, córnea, veia, ossos e tendão.

 

Para quem vão os órgãos?

Os órgãos doados vão para pacientes que necessitam de um transplante e estão aguardando em lista única, definida pela Central de Transplantes da Secretaria de Saúde de cada Estado e controlada pelo Ministério Público.

 

Como posso ter certeza do diagnóstico de morte encefálica?

Não existe dúvida quanto ao diagnóstico. O diagnóstico da morte encefálica é regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina. Dois médicos de diferentes áreas examinam o paciente, sempre com a comprovação de um exame complementar.

 

Após a doação o corpo fica deformado?

Não. A retirada dos órgãos é uma cirurgia como qualquer outra e o doador poderá ser velado normalmente.

 

Acompanhe alguns eventos relacionados ao Transplante de Órgão acessando o site abto.org.br

Prof. Dr. Luiz Carneiro
Diretor da Divisão de Transplantes de Fígado e Orgãos do Aparelho Digestivo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
TIRE SUAS DÚVIDAS

Fale pelo Whatsapp