Transplante de fígado em crianças geralmente é feito após os 2 anos de idade

O transplante com doador vivo pode ser feito em crianças? A partir de que idade? Quem é o doador?

– Essa é uma pergunta muito boa. No Brasil, o maior número de transplantes com doador vivo é feito em crianças. Existem equipes especializadas e que fazem o transplante de fígado em crianças e já em bebês.

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Têm crianças muito pequenas que já precisam do transplante de fígado, mas nós sabemos que quanto menor a criança, maior os riscos do transplante. Então, o que a gente diz que se a criança nascer com 2, 3 quilos, o resultado é muito ruim e é muito difícil arrumar um fígado de um tamanho que caiba numa criança desse tamanho. Mesmo que alguém doe.

Em geral, quem doa é a mãe, às vezes, o pai. Então, para transplantar, nós – as equipes que realizam o procedimento – esperamos que a criança atinja 10 quilos. Quanto mais velho de idade, mas avançada com 1 ano, 2 anos e tiver um peso maior, é melhor porque podemos tirar uma parte pequena do órgão do adulto e não precisamos fazer uma cirurgia para que se faça implante numa criança.

Com uma criança de 6, 7 quilos, você teria que tirar um pedacinho do fígado do adulto que está com 60 ou 70 quilos e depois fazer uma operação ainda para reduzir esse fígado mais para poder caber. E depois, fica muito grande, às vezes não dá nem para fechar a barriga de tão grande que é o fígado, embora ele seja de 200 gramas, 150 gramas. Então, o ideal é que se faça depois de 3 anos, dando suporte para que a criança chegue aos 10 quilos pronta para o transplante.

É esse o tipo de transplante de fígado em crianças com doador vivo que mais se faz  aqui no Brasil. Na Coreia, no Japão, nos outros países, faz-se mais em adultos, ao contrário daqui, porque a população adulta precisa mais. Mas no Brasil, como nós temos uma distribuição de órgãos de doador falecido, fazemos menos crianças. O Brasil faz cerca de 200 transplantes de fígado com doador vivo ao ano, 150 com crianças e apenas 20,30% de adultos.

 

Quais são as doenças que levam a criança a precisar de um transplante? Por que a criança precisa de transplante?

– Existem doenças que são próprias da criança, que são os erros inatos do metabolismo. São doenças em que a criança não produz uma proteína, não produz uma substância e que leva a um defeito metabólico em geral, às vezes, incompatível com a vida. Também há doenças em que o colesterol é metabolizado no fígado. Então, têm crianças que metabolizam muito o colesterol, que é um defeito e faz muito colesterol. Então, tem crianças recém-nascidas que tem 5.000, 10.000 de colesterol. O defeito é no fígado, mas desenvolve-se um infarto com 1 ano, 2 anos de idade pelo colesterol tão elevado. Então ai, estou dando o exemplo de um erro metabólico que é fácil de se avaliar. Teria que se fazer o transplante do fígado e o coração. Mas existem outras doenças em que ele produz ou não produz uma enzima que pode induzir ao câncer do fígado. Então, tem que se transplantar antes que isso ocorra. Então, essas situações clínicas é que fazem com que a crianças precisem de um transplante.

Existe uma outra causa que é a atresia das vias biliares, onde a criança produz bile e tem que secretar para o duodeno e ela não forma esse canal. E ai, é um quadro muito grave e que é a patologia talvez mais frequente das crianças. Nos temos que fazer uma cirurgia no recém-nascido, coloca um pedaço de intestino lá procurando fazer esta emenda e que a bile drene para cá e depois de algum tempo, esperando a criança crescer e faz o transplante.

Às vezes, existem algumas doenças metabólicas que podem exigir uma premência maior, um defeito congênito, mas é raro. Em geral, a gente consegue levar o pequeno a um peso razoável para o transplante de fígado em crianças.

 

O senhor já fez transplante de fígado em feto?

– Não, não, ainda não se tem descrição de transplante em feto. Se faz cirurgia fetal, mas não transplante em feto. Se pode corrigir alguns defeitos associados à formação de um fígado no feto. É uma coisa muito nova. Se tiverem grandes cistos, alguma coisa que esteja comprimindo o fígado, pode se fazer por medicina fetal. Trata-se de uma exceção; no Brasil já estão começando a construir equipes de cirurgia fetal mas de fígado a gente não tem relato.

Muito obrigado e para qualquer esclarecimento, consulte seu médico.

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Prof. Dr. Luiz Carneiro
Diretor da Divisão de Transplantes de Fígado e Orgãos do Aparelho Digestivo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
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