Pancreatite, inflamação provocada por álcool, remédios e pedra na vesícula

Pancreatite, inflamação provocada por álcool, remédios e pedra na vesícula

O que é pancreatite? Por que que remédios mais modernos para diabetes a longo prazo podem causar este problema?

Bom, pancreatite é uma inflamação do pâncreas, então se você leva uma pancada, você tem uma inflamação. Se é do tendão, é uma tendinite, se é o do músculo, você tem uma miosite. No pâncreas, é uma inflamação aguda chamada pancreatite aguda. A pessoa por algum motivo entupiu o canal lá que a secreção de amilase que sai do pâncreas não chega ao intestino porque teve um cálculo, uma pedra, esse órgão pode ter uma pancreatite aguda.

Leia também os artigo que detalham pancreatite crônica e pancreatite aguda.

Então, pancreatite aguda é comum em pessoas que têm cálculo na vesícula e uma pedra pequenina pode entupir o canal e fica cheio de enzimas feitas para digerir as proteínas no intestino, então elas ficam lá e podem digerir o próprio pâncreas, então isso é uma pancreatite de origem biliar.

Mas você pode ter uma pancreatite, uma inflamação aguda provocada por medicamentos. Existem várias formas muito graves e também a pancreatite leve com pequenos edemas.

Mas tem também as pancreatites com inflamação tão grande que são chamadas de necro hemorrágicas. Aí tem necrose com sangramento e índice de mortalidade grande porque é preciso internar na uti.

E nós temos a pancreatite crônica, um exemplo clássico é do álcool. Todo o dia a pessoa bebe um pouquinho, agride a célula pancreática, substitui por uma fibrose, essa fibrose se cronifica e o pâncreas vai ficando duro.

Têm a crônica e a aguda, são doenças completamente diferentes. Esse é um aspecto muito importante.

Na mulher, a causa mais comum é a pancreatite aguda por cálculo de vesícula, problema que atinge substancialmente o público feminino. Então, quando esse calculo sai entope o canal da vesícula do intestino da bile e desemboca junto com o pâncreas. Então, a pedrinha foi lá, impactou ali, fechou, dá uma inflamação. Em geral, não é tão grave, tem que operar, mas ela se resolve. Do homem mais comum, o mais comum é a pancreatite crônica pelo álcool.

Agora, eventualmente uma grande quantidade e ingesta de álcool pode desencadear também uma pancreatite aguda em homens. No geral, essas pancreatites a primeira causa é o álcool, mas têm outras doenças que podem levar a pancreatite crônica. Por exemplo, se ele tiver muito colesterol e triglicérides muda a composição dessas enzimas e forma cálculo dentro do pâncreas e aí pode levar a própria digestão do pâncreas. Em geral, são quadros crônicos que podem dar dor, diarreia, que a enzima não chega no intestino.

Nós temos que diferenciar o que é agudo do que é crônico. Em geral, só o seu médico tem capacidade de formar o diagnóstico e prescrever o melhor tratamento.

Prof. Dr. Luiz Carneiro
Diretor da Divisão de Transplantes de Fígado e Orgãos do Aparelho Digestivo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
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Epidemia mundial do diabetes é um dos maiores desafios globais da medicina

Epidemia mundial do diabetes é um dos maiores desafios globais da medicina

Hoje, vivemos uma epidemia mundial de diabetes tipo 2 como mostram os dados do Atlas do Diabetes do IDF, Federação Internacional de Diabetes. A publicação revela que no mundo, um a cada onze habitantes tem a doença ocasionada pelo sobrepeso, obesidade, sedentarismo e péssimos hábitos alimentares.

O diabetes Mellitus é uma doença crônica e progressiva que eleva os níveis de glicose no sangue. Isso acontece quando o pâncreas não produz o hormônio insulina em quantidade suficiente. A insulina regula o açúcar, a quantidade de glicose no sangue como fonte de energia.

Quando a pessoa tem diabetes, no entanto, o organismo não fabrica insulina e não consegue usar a glicose de forma correta. O nível de glicose no sangue fica alto – a famosa hiperglicemia. Se esse quadro perdurar, poderá haver danos em órgãos, vasos sanguíneos e nervos.

 

Tipos de Diabetes

Existe o diabetes tipo 1 que geralmente aparece na infância ou adolescência, mas pessoas com 40, 50 anos também podem desenvolver o diabetes tipo 1 tardio, o Lada Diabetes Latente Autoimune do Adulto (LADA). Algumas pessoas que são diagnosticadas com o Tipo 2 desenvolvem um processo autoimune e acabam perdendo células beta do pâncreas. No diabetes tipo 1, o pâncreas simplesmente para de trabalhar. Ai a pessoa torna-se insulino dependente. Pela primeira vez, estima-se que atualmente há mais de meio milhão de crianças menores de 14 anos com diabetes tipo 1.

Já se sabe que há uma influência genética – ter um parente próximo com a doença aumenta consideravelmente as chances de você ter também. Mas ainda não há pesquisa conclusiva sobre os fatores de risco para o Diabetes Tipo 1.

De forma direta, a pessoa nasce com o diabetes tipo 1 ao contrário do diabetes tipo 2 adquirida ao longo da vida, devido a hábitos nada saudáveis.

O diabetes que apavora a comunidade médico é do tipo 2 que atinge 90% dos casos aqui e mundo afora. A cada nova pesquisa, os pesquisadores ficam alarmados com o desenvolvimento precoce da enfermidade em crianças e adolescentes, retrato da vida moderna com excesso de computadores, joguinhos e smartphones. Os pequenos, pouco se mexem, e à mesa se fartam de carboidratos armazenando mais e mais açúcar no sangue, sobrecarregando o pâncreas.

Diabetes Gestacional que surge durante a gravidez. Muitas vezes, ao controlar a glicemia reduzindo o consumo de açúcar e carboidratos, após o nascimento a mãe deixa de tomar comprimidos e ou ate mesmo insulina. É um problema momentâneo, mas um alerta que pode surgir mais a frente. Muitas vezes, o bebe não desenvolve a doença.

 

Sintomas do diabetes

  • Urinar a toda hora, inúmeras vezes de dia e à noite
  • Sede excessiva, copos e mais copos
  • Cansaço, fadiga, moleza, indisposição
  • Perda de peso muito rápido, como 5 quilos em um mês mesmo sem dieta
  • Fome frequente
  • Visão embaçada, turva, dificuldade de dirigir a noite
  • Cicatrização lenta para uma simples ferida
  • Infecções recorrentes como as urinárias
  • Cetoacidose diabética

 

Diagnostico do diabetes

Em alguns casos, o diagnóstico demora, favorecendo o aparecimento de complicações. Pode ser que você ou alguém próximo tenha diabetes.

Um simples exame de sangue com glicemia e hemoglobina glicada são a porta de entrada para identificação da doença. Sua comprovação é feita pela curva glicêmica.

 

Diabetes no mundo

O mapeamento detectou que há 415 milhões de adultos entre 20 e 79 anos com diabetes no mundo, dos quais 193 milhões não são diagnosticados. Esse desconhecimento provoca lesões irreversíveis como cegueira, acidentes vasculares, neuropatia, doença renal crônica, insuficiência cardíaca, retinopatia e neuropatia.

Outros 318 milhões de pessoas sofrem de comprometimento da tolerância à glicose, o que os coloca em alto risco de desenvolver a doença. A tão falada Síndrome Metabólica tratada por pré-diabetes. Se esse aumento não for interrompido, até 2040 haverá 642 milhões de pessoas vivendo com a doença, o que significa uma em cada dez no mundo.

O Brasil integra o quadro global com estatísticas ainda mais alarmantes, onde uma a cada dez pessoas vive com diabetes. Atualmente, o Ministério da Saúde reconhece 14 milhões de habitantes com a doença, número que quadruplicou desde 1980, principalmente nos países em desenvolvimento como o nosso.

O futuro por aqui também é sombrio como mostra o Relatório Global do IDF. Em 2040, haverá um crescimento de 65% no número de casos no Brasil chegando a 24 milhões.  O Atlas aponta que 40% das pessoas com diabetes, cerca de 6 milhões desconhecem a doença.

Leia também em outra postagem mais sobre diabetes, clique aqui.

 

Mortes por diabetes

A cada 6 segundos, uma pessoa morre de diabetes no mundo, totalizando 5 milhões de mortes por ano.

No Brasil, 130 mil morrem por ano em decorrência do diabetes, a quinta doença que mais provoca óbitos no país.

Prof. Dr. Luiz Carneiro
Diretor da Divisão de Transplantes de Fígado e Orgãos do Aparelho Digestivo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP
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